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NOVO PRESIDENTE

EM 3 MESES, UM NOVO PRESIDENTE; EM 6, UM NOVO GOVERNO PROGRESSITA

EM 3 MESES, UM NOVO PRESIDENTE; EM 6, UM NOVO GOVERNO PROGRESSITA

A contagem regressiva avança. Em outubro o Brasil terá um novo presidente, eleito pelo voto popular. No primeiro turno, dia 7, no segundo, dia 28. E em janeiro teremos um novo governo. 

Se os nomes não estão certos, principalmente o de quem lidera todas as pesquisas, e a direita está dispersa, a única certeza é a liderança do Lula e sua capacidade de tornar favorito quem ele indique, caso seja impedido de concorrer.

Haverá um candidato do PT, favorito. Esse é o caminho que temos para derrotar e derrubar o governo do golpe e o regime de exceção. A luta por essa via tem uma dimensão jurídica – superar as tentativas de impedir sua candidatura e sua liberdade –, uma dimensão política – lançamento do programa eleitoral do PT, cujo esboço já foi divulgado e alianças para compor a chapa do Lula – e uma dimensão de massas – com o aumento das mobilizações pela liberdade do Lula e de rejeição das posições do Judiciário.

As outras pré-candidaturas veem esgotar seus tempos para viabilizar-se como alternativas no campo da esquerda e permanecem na expectativa do que acontecerá com a candidatura do PT. A definição, como fica cada vez mais claro, se dará no âmbito do PT: ou Lula ou quem ele indicar, do PT, caso ele seja impedido de concorrer.

Ciro não conseguiu aglutinar forças da direita, que lhe dessem maior espaço, ficando sua candidatura resumida ao PDT. O PSB tende claramente a deixar aberta a questão, diante da impossibilidade de conciliar o partido em Pernambuco, que tende para o Lula, e em São Paulo, ligado ao Alckmin.

O imenso espaço ocupado pelo Lula deixa as outras pré-candidaturas sem espaço próprio, de tal forma a polarização do Lula contra o governo golpista se torna a contradição fundamental do momento político atual. De tal forma que da resolução desse enfrentamento se decide o futuro do Brasil por muito tempo, talvez por toda a primeira metade do século.

O campo da direita parece ficar mais claro, com a candidatura do Alckmin agrupando forças da direita, para disputar com o Bolsonaro eventual lugar no segundo turno. Desistiram de tentar alguém de fora da política tradicional. Enquanto isso, Meirelles fica sem nenhum apoio, ao personificar o núcleo básico da falta de popularidade do governo Temer, ameaçando levar o PMDB ao pior resultado da sua história.

A contagem regressiva se torna dramática. Até 15 de agosto estarão registradas as candidaturas, começa uma nova batalha, na luta pelo Lula para ser candidato. Dela depende a constituição definitiva do cenário eleitoral. A direita conta com a interdição do Lula e eventuais dificuldades para ele transferir sua influência em votos para quem ele escolher. Quem quer que venha a ser, a mídia e o Judiciário farão cair sobre ele os mesmos mecanismos de perseguição política de que o Lula é vítima.

É a esperança da direita, porque da sua força própria não pode esperar muito, seja de Alckmin, seja de Bolsonaro. É a hora de a esquerda concentrar forças em torno da alternativa real de derrotar a direita e o seu golpe. E a única possibilidade é a de Lula ou de quem ele indicar. São menos de três meses até a definição de quem será o próximo presidente do Brasil. Menos de seis meses para que um novo governo comece a resgatar o Brasil, sua democracia, os direitos dos trabalhadores, as políticas sociais para todos.

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Emir Sader – Sociólogo
Autor do livro “O Brasil que queremos. ”

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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