ENTRE GRITOS E SILÊNCIOS ESTÃO PALESTINOS, VENEZUELANOS E BRASILEIROS

ENTRE GRITOS E SILÊNCIOS ESTÃO PALESTINOS

ENTRE GRITOS E SILÊNCIOS ESTÃO PALESTINOS, VENEZUELANOS E BRASILEIROS

O que a Faixa de Gaza e a Venezuela têm em comum? Ambas estão sob forte intervenção dos Estados Unidos. A Faixa de Gaza é um território palestino, com volumes expressivos de gás natural e, no seu entorno, está a Costa do Mediterrâneo, que possui potentes reservas de petróleo. Já a Venezuela tem um solo rico em reservas minerais e petróleo. Assim fica mais fácil enxergar o que está em disputa.

Por Virginia Berriel

GAZA

O mundo virou as costas para o que acontece em Gaza. Isso ocorre há anos, mas principalmente desde 2023, com o ataque pelo Hamas em território israelense e a posterior invasão da Faixa de Gaza pelas forças de defesa de Israel, deixando-a em completa destruição. Hoje, só restam ruínas. Mais de 73.300 palestinos foram assassinados e, segundo dados da Unicef, 50 mil são crianças. A desumanidade e o genocídio escancarados, a violação à vida e aos direitos humanos representam uma catástrofe.

Os palestinos e as palestinas são pessoas de bem. Querem um Estado próprio, fim da ocupação de suas terras, direito de viver em paz e em liberdade. Mas há pelo menos 78 anos – desde o deslocamento em massa iniciado em 1948, quando foram forçados a fugir de suas casas durante a criação do Estado de Israel – vêm sendo expulsos de seu território.

De alguma forma, há uma falha ou morosidade dos órgãos da ONU, que não conseguem impedir ou coibir a matança desenfreada, tampouco adotar medidas eficazes para julgar quem, de maneira deliberada, impõe a sua política genocida e de completo extermínio do povo palestino: o Estado de Israel e o seu primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apoiado e financiado pelos Estados Unidos. Eles precisam ser parados. Netanyahu já deveria ter sido preso e julgado por crime contra a humanidade.

O sofrimento proveniente do deslocamento em massa, da destruição e da morte do povo palestino, invisibilizado, parece não incomodar o resto do mundo. As condições brutais impostas à sobrevivência, como falta de água, alimento e saneamento, configuram o abandono e caracterizam o extermínio de uma nação.

A guerra imposta por Israel não é para sua autoproteção, não é para a defesa de cidadãos israelenses. Destruir escolas, hospitais, prédios públicos, tornar alvos famílias inteiras e crianças, na sua maioria, não é para garantir proteção e, sim, permitir o extermínio. O silêncio da ONU e do mundo dói. São gritos ensurdecedores que parecem não provocar nem chamar mais atenção.

VENEZUELA

Esse mesmo silêncio grita escancaradamente em defesa dos venezuelanos, da Venezuela agora destruída por terremotos e pela política de guerra dos Estados Unidos. A Venezuela e sua gente vêm sendo destroçadas há muito tempo pela imposição do capitalismo selvagem, mais recentemente pela ganância desenfreada de Donald Trump, por conta de o país ser o detentor de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, de possuir ouro, ferro e bauxita em abundância, de ser um país rico em recursos naturais.

Então, precisamos perguntar: por que grande parte da população venezuelana vive em completa miséria? E por que a imigração de venezuelanos para o Brasil e outros países é gigantesca?

A Venezuela e seu povo mais parecem ter sido esquecidos propositadamente debaixo dos escombros dos terremotos ocorridos em 24 de junho de 2026. Os meios de comunicação até fizeram reportagens sobre o ocorrido, mas elas foram insuficientes e superficiais em razão de toda a destruição ocorrida. A Venezuela e sua gente foram literalmente e brutalmente abandonadas à própria sorte. Há um silêncio muito maior que o barulho do próprio terremoto, o silêncio dos corpos que ficaram sob escombros.

O país foi atacado e teve seu presidente, Nicolás Maduro, sequestrado pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro de 2026. Donald Trump impôs suas regras e garras de forma deliberada, anunciando ao mundo, na época, que também tomaria posse do petróleo venezuelano e assumiria o controle da indústria petrolífera venezuelana.

O mundo assistiu atônito aos atos deliberados, sem nenhuma legalidade, ao sequestro do presidente da Venezuela. Nesta ação absurda, Donald Trump se justificou acusando Maduro de pertencer ao Cartel de los Soles e favorecer o narcoterrorismo por meio da importação de cocaína com destino aos Estados Unidos. Trump apresentou provas de todas essas acusações? 

A ONU disse: “O sequestro de Maduro violou o princípio fundamental do direito internacional.” Mas o que foi feito pela ONU contra mais essa violação cometida por Trump? Um presidente que se comporta como se fosse o dono do mundo. Abertamente, ameaçou, com os seus delírios, atacar alvos ligados à produção de cocaína na Colômbia; ameaçou ações e bombardeios terrestres contra cartéis de drogas em território mexicano e, de forma explícita, também ameaçou Cuba, que passou a ser seu próximo alvo, sendo que o país sofre com as sanções impostas pelos Estados Unidos desde 1960.

As ameaças se ampliaram e o Brasil também vem sendo penalizado por tarifas absurdas impostas de forma unilateral e perversa por Trump, tarifas essas que impactam as exportações brasileiras para aquele país, mas que também impactam os EUA e o próprio governo americano. Para além das tarifas, Trump está interferindo no processo eleitoral brasileiro, graças a antipatriotas golpistas e fascistas que fugiram para lá exatamente com o intuito de contribuir com o governo americano e sabotar o nosso país.

As ações impostas por Trump contra o Brasil, sob a alegação de práticas comerciais brasileiras consideradas injustas, não procedem, não se sustentam. Trata-se de mais uma mentira, dentre tantas outras. Na verdade, o que ele quer é interferir diretamente na eleição brasileira.

Trump, tire as suas botas, as suas patas, as suas garras e o seu ódio e a sua inveja do nosso país e do presidente Lula.

Os gritos contra os atos praticados por Donald Trump estão sendo escutados no mundo inteiro, um mundo que parece omisso, que apenas assiste à barbárie imposta por um presidente que atualmente é odiado por mais de 60% dos americanos, que desaprovam totalmente o seu governo.

A ONU não tem poder nenhum para frear Trump ou parar Netanyahu. A entidade tem limitações e dependência de financiamento dos Estados Unidos porque o país é membro permanente do Conselho de Segurança da Organização, lembrando que Israel é aliado dos Estados Unidos, inclusive na barbárie.

O mundo continuará omisso ouvindo os gritos e os silêncios dos mortos de Gaza e da Venezuela, até quando? E nós, brasileiros, até quando suportaremos as botas do imperialismo decadente?

 

images 1 1Virginia Berriel – Presidenta do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro. Diretora do Sinttel Rio – Sindicato dos Telefônicos do Estado do Rio de Janeiro. Consultora Ad Hoc da Comissão Permanente do Direito ao Trabalho, Educação e Seguridade Social do CNDH. Membra do MHuD – Movimento Humanos por Direitos.

Capa: La Guaira, Venezuela, após os terremotos de 2026. Foto: Lance Cpl. Allison White/ Fuzileiros Navais dos EUA/ WikiMedia

 

GOSTOU DESTA MATÉRIA? ENTÃO, POR FAVOR, PASSA PRA FRENTE. COMPARTILHE EM TODAS AS SUAS REDES. NÃO CUSTA NADA, É SÓ CLICAR!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

© 2025 Revista Xapuri — Jornalismo Independente, Popular e de Resistência.