Entre o Sonho e o Despertar: Eliene Lucindo transforma o Cerrado e a arquitetura de Brasília em poesia na CASACOR Eliene Lucindo

ENTRE O SONHO E O DESPERTAR: ELIENE LUCINDO TRANSFORMA O CERRADO E A ARQUITETURA DE BRASÍLIA EM POESIA NA CASACOR

Entre o Sonho e o Despertar: Eliene Lucindo transforma o Cerrado e a arquitetura de Brasília em poesia na CASACOR

Galeria de arte apresenta registros poéticos do fotógrafo Celso Junior

Entre o Sonho e o Despertar: Eliene Lucindo transforma o Cerrado e a arquitetura de Brasília em poesia na CASACOR
Foto: Edgard Cesar.

Há lugares que não se visitam apenas com os olhos, mas com a alma inteira. É nesse território sensível que se encontra a galeria de arte “Entre o Sonho e o Despertar”, criação da designer de interiores Eliene Lucindo em seu retorno à CASACOR Brasília. O espaço-refúgio foi concebido para desacelerar, escutar e sentir. Inspirado pelo tema “Semear Sonhos”, convida a um reencontro com a essência por meio de luzes suaves, sons e aromas da natureza, texturas cruas e imagens que tocam silenciosamente a alma.

No coração do espaço, a presença simbólica da árvore do pequi — nativa do Cerrado e enraizada na história pessoal da autora, nascida em Anápolis, Goiás — representa raízes afetivas, força ancestral e a beleza da resistência natural. O solo, coberto por folhas secas, transforma o caminhar em um gesto ritual, como quem atravessa lembranças que ainda respiram.

Bancos de madeira com linhas orgânicas convidam à contemplação, enquanto as fotografias autorais e inéditas de Celso Junior dialogam com a atmosfera do bioma. Parte das obras pertence à série Concretus, curada especialmente para este projeto, que representa a fusão entre o concreto e o sonho — entre a rigidez arquitetônica e a sensibilidade que construiu a trajetória de Eliene em Brasília. A série não apenas evoca a materialidade da cidade, mas também celebra a importância da arquitetura como cenário, inspiração e base de sua jornada profissional na capital.

Cada imagem funciona como uma janela para a memória e para a relação íntima que a autora mantém com o território brasiliense e sua estética singular.

Materiais como piso vinílico sustentável, lâminas de madeira de reaproveitamento, tecido de linho cru e iluminação LED âmbar indireta reforçam o compromisso estético e ambiental do projeto.

“A criação partiu da minha vivência pessoal e das memórias viscerais do Cerrado. Foi desenvolvida com base em estudos sobre design afetivo, ancestralidade, neuroarquitetura e o poder simbólico das plantas nativas como arquétipos de identidade. A colaboração da curadoria com o fotógrafo Celso Junior fortalece essa narrativa visual, conectando imagem, emoção e chão”, afirma Eliene, especialista em design afetivo e neuroarquitetura, com master em Arquitetura.

ENTRE O SONHO E O DESPERTAR: ELIENE LUCINDO TRANSFORMA O CERRADO E A ARQUITETURA DE BRASÍLIA EM POESIA NA CASACOR
Foto: Edgard Cesar.

O espaço se completa com um manifesto poético impresso, provocando uma reflexão íntima:

“O que em você ainda não despertou?”

Mais do que um ambiente, “Entre o Sonho e o Despertar” é um rito de pausa. Um percurso simbólico que semeia presença, afeto e a certeza de que todo sonho precisa de raízes para florescer — seja no solo vermelho do Cerrado, seja no concreto branco da capital.

SERVIÇO

33ª CASACOR Brasília

Quando: 13 de agosto a 12 de outubro de 2025
Special Sale: 11 e 12 de outubro
Onde: Casa do Candango – SGAS 603
Visitação: de terça a sexta-feira, das 15h às 22h. Sábados e feriados, das 12h às 22h. Domingo, das 12h às 21h
Ingressos: R$ 100,00 (inteira) e R$ 50,00 (meia para estudante, professor, PCD e seu acompanhante e pessoas com 60 anos ou mais). Obrigatória a apresentação da carteirinha/comprovação de pagamento da instituição/documento de identidade e válido com foto. Crianças até 11 anos não pagam mediante documento.
Classificação: livre
Acessibilidade: a mostra é acessível em toda a sua extensão

Capa: Edgard Cesar.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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