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OS GRANDES AQUÍFEROS DO CERRADO BRASILEIRO

OS GRANDES AQUÍFEROS DO CERRADO BRASILEIRO

Os grandes aquíferos do brasileiro: Bambuí, Urucuia e Guarani 

Aquíferos são formações ou grupos de formações geológicas constituídas por rochas porosas e permeáveis que permitem o armazenamento de grandes volumes de águas das chuvas – essas águas alimentam as nascentes de rios e também podem ser captadas em poços semiartesianos e artesianos para abastecimento de populações humanas.

Por Fernando José de Sousa 

OS GRANDES AQUÍFEROS DO CERRADO BRASILEIRO
Foto: Otoniel Fernandes Neto

Os aquíferos são reservas de água estratégicas, responsáveis pelo fornecimento de até 90% das águas que formam os caudais dos rios da região do Cerrado, especialmente na época da estação da seca. Apesar de serem aparentemente abundantes, as águas dos aquíferos dependem da recarga periódica nas estações das chuvas, quando a vegetação natural do Cerrado permite a infiltração da água no solo.

A substituição intensa da vegetação nativa por plantações aumenta grandemente o fluxo de águas na superfície do solo, levando a grandes perdas por evaporação em prejuízo aos aquíferos, provocando reduções importantes na produção de água nas nascentes das bacias hidrográficas da região.

É fundamental que se encontre um ponto de equilíbrio entre as atividades agropecuárias e a preservação das matas nativas do Cerrado como forma de se garantir a tradicional abundância das águas na região.

Apesar de serem apresentados sempre no singular, essas formações são agrupadas na forma de sistemas de aquíferos interligados, que se estendem por grandes áreas geográficas. A região do Cerrado brasileiro possui três grandes aquíferos: o Bambuí, o Urucuia e o Guarani.

AQUÍFERO BAMBUÍ

O aquífero Bambuí se divide entre áreas do Cerrado e do Semiárido, tendo seu trecho mais importante na região norte de Minas Gerais, porém sua área natural de recarga abrange uma superfície total de mais de 180 mil km² nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás e Tocantins, atendendo um total de 270 municípios, especialmente na região conhecida como Polígono das Secas.

Está inserido dentro da bacia hidrográfica do , alimentando nascentes de importantes afluentes do rio. As águas deste aquífero são consideradas de boa qualidade e se encontram em profundidades entre 50 e 100 metros.

Poços de captação retiram grandes volumes de água deste aquífero para uso no abastecimento de diversos municípios no norte de Minas Gerais e no sul da Bahia.

AQUÍFERO URUCUIA 

O aquífero Urucuia está localizado integralmente na região do Cerrado e se estende por toda a região oeste do estado da Bahia, que concentra entre 75 e 80% da área total, além de trechos nos estados: Tocantins, Goiás, Piauí, Maranhão e noroeste de Minas Gerais, ocupando uma área total de 120 mil km².

Esse sistema de aquíferos tem importância fundamental na regularização da vazão de rios que nascem na região e que correm na direção do rio São Francisco, sendo fundamentais para o abastecimento de cidades e uso em sistemas de irrigação.

As águas dos aquíferos Urucuia e Bambuí são estratégicas para a região do Semiárido, pois são elas que garantem a perenização de importantes rios da região em épocas de seca prolongada, quando diversos rios menores literalmente secam.

Uma característica importante desse sistema de aquíferos é que suas águas se concentram em baixas profundidades e estão sujeitas a contaminação por atividades agropecuárias e destruição da vegetação nativa, o que também compromete a recarga de águas.

Outra fonte importante de problemas é a superexploração das águas para fins de irrigação, especialmente na região do Cerrado baiano, uma das frentes agrícolas que mais tem crescido nos últimos anos.

AQUÍFERO GUARANI

O imenso aquífero Guarani ocupa uma área total de 1,2 milhão de km², estendendo-se por áreas das regiões Centro-oeste, Sudeste e Sul do , avançando por regiões do Paraguai, Argentina e Uruguai. O Guarani considerado o segundo maior aquífero conhecido do mundo, ficando atrás apenas do sistema de aquíferos Alter do Chão da região amazônica. Alguns cálculos indicam que o Guarani possui uma reserva total de águas que seria sufi ciente para abastecer toda a população brasileira por até 2.500 anos.

Oito estados brasileiros abrigam trechos do aquífero Guarani: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nestas áreas de ocorrência do aquífero no Brasil, que compreendem 70% da área total da formação, vive uma população estimada em, pelo menos, 30 milhões de habitantes (o mapeamento da área total do aquífero é atualizado constantemente).

O aquífero tem 50% de sua extensão em terras brasileiras concentradas em áreas do Cerrado. Cidades do interior de São Paulo são as maiores utilizadoras de águas captadas no aquífero Guarani, a exemplo de Ribeirão Preto, cidade que retira toda a água utilizada para seu abastecimento de poços alimentados pelo aquífero.

Fernando José de Sousa
Jornalista 


 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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