KIRIBATI: O PAÍS-ILHA AMEAÇADO PELA ELEVAÇÃO DO NÍVEL DO MAR

KIRIBATI: O PAÍS AMEAÇADO PELA ELEVAÇÃO DO NÍVEL DO MAR

Kiribati: o país-ilha ameaçado pela elevação do nível do mar

Com território baixo e vulnerável, Kiribati já enfrenta os impactos diretos da crise climática sobre a água, a agricultura e o futuro de sua população

Por Redação/ Revista Xapuri

Localizado no Oceano Pacífico, entre o Havaí e a Austrália, Kiribati é formado por 33 atóis — ilhas oceânicas em formato de anel — e abriga mais de 100 mil habitantes. Em um território onde a vida está profundamente ligada ao mar, a pesca, as casas sobre palafitas e a relação cotidiana com a água fazem parte da identidade e da sobrevivência da população.

oceania map 2
Mapa de Kiribati na Oceania

Mas esse modo de vida está sob ameaça. Com terras que, em grande parte, não ultrapassam dois metros acima do nível do mar, Kiribati já sente os efeitos da elevação dos oceanos, que avança sobre áreas habitadas, compromete reservas de água doce e dificulta o acesso da população à água potável.

Além da salinização da água, o avanço do mar também atinge plantações, prejudicando a agricultura de subsistência e reduzindo as condições de produção de alimentos. Para um país insular e economicamente vulnerável, os impactos ambientais se transformam rapidamente em uma crise social, alimentar e humanitária.

kiribati fishermen ed KaraMath 2
Pescadores de Kiribati – imagem de Kara Math

Embora contribua de forma mínima para as emissões globais de gases de efeito estufa, Kiribati está entre os territórios que mais sofrem com as consequências da crise climática. Lideranças do país já fizeram apelos públicos por políticas internacionais mais efetivas de redução das emissões, enquanto relatórios do Banco Mundial apontam para a necessidade de países como Austrália e Nova Zelândia acolherem deslocados climáticos de Kiribati e de outras ilhas do Pacífico ameaçadas pela elevação do mar.

Com um dos menores PIBs do planeta, estimado em cerca de 207 milhões de dólares pelo Banco Mundial, Kiribati tornou-se símbolo das desigualdades climáticas globais. O caso evidencia como as mudanças climáticas atingem populações de formas profundamente desiguais: os países que menos contribuíram para o problema estão entre os primeiros a enfrentar suas consequências mais graves.

kiribati tarawa ed maloff 2
Prédios governamentais em Kiribati – imagem de Maloff

A situação de Kiribati escancara o racismo ambiental e a injustiça climática que marcam a crise global. Enquanto grandes emissores seguem retardando respostas efetivas, comunidades inteiras veem seu território, sua cultura e seu futuro ameaçados pelo avanço das águas.

kiribati kids 2
Crianças em Kiribati – imagem de Robert Szymanski

Foto de capa: Casas sobre palafitas em Kiribati –  Divulgação/ kids-world-travel-guide.

 

GOSTOU DESTA MATÉRIA? ENTÃO, POR FAVOR, PASSA PRA FRENTE. COMPARTILHE EM TODAS AS SUAS REDES. NÃO CUSTA NADA, É SÓ CLICAR!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

CONTATO

REVISTA

© 2025 Revista Xapuri — Jornalismo Independente, Popular e de Resistência.