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Fepipa: nota de apoio aos Awaeté-Parakanã da Terra Indígena Parakanã

Fepipa: nota de apoio aos Awaeté-Parakanã da Terra Indígena Parakanã

Fepipa: nota de apoio aos Awaeté-Parakanã da Terra Indígena Parakanã

Via fepipa_oficial

Federação dos Povos Indígenas do estado do Pará (FEPIPA)

Circulam na imprensa estadual e nas redes sociais diversas informações, a maioria delas distorcidas e confusas sobre o suposto “desaparecimento de três jovens” não indígenas nas proximidades da Terra Indígena Parakanã, no município de Novo Repartimento, região Sudeste do Estado do Pará. Dentre o material circulado, estão áudios de amigos e familiares dos rapazes ameaçando os Awaeté-Parakanã de morte: “… vamos entrar na aldeia e começar a matar índio, começar daqui da frente, não tá bom não” (anônimo, circulado via wathsap). Dentre as ações truculentas estão o fechamento da rodovia transamazônica e a invasão do Centro de Formação Taxakoakwera no dia 25/04, onde aconteciam as aulas do Cursos de Agroecologia e Magistério Indígena do Campus Rural de Marabá – IFPA. Os Awaeté e os docentes “foram surpreendidos por volta das 13:15h com a intrusão abrupta de um grupo de não indígena (Tôria) com gritos, ameaças e a obstrução da entrada do Posto na T.I. Parakanã” segundo informam os próprios professores do curso. O que é inadmissível, pois, as lideranças Awaeté Parakanã afirmam estar auxiliando nas buscas aos mesmos na mata e negam veementemente a acusação infundada de estarem mantendo os jovens em cárcere privado. Nós indígenas sabemos que para adentrar a floresta precisamos ter diversos conhecimentos sobre os caminhos, marcações e formas adequadas para nossa proteção e retorno seguro às aldeias. Ademais, a entrada de pessoas estranhas em nossos territórios é expressamente proibida. Nosso território é nossa casa extensa e, assim como os domicílios dos não indígenas só é permitida a entrada quando as pessoas foram convidadas. Para os Awaeté essa é uma norma respeitada “nós não invadimos a casa dos brancos, nós respeitamos” (Tarana Parakanã).

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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