“Filha do medo, a raiva é mãe da covardia”
Chico, brilhante, Chico militante, total e sempre. Brilhante o Chico Buarque de Caravanas
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia”
Um mar turquesa à la Istambul
Enchendo os olhos
E um sol de torrar os miolos
Quando pinta em Copacabana
A caravana do Arará
Do Caxangá, da Chatuba
O comboio da Penha
Não há barreira que retenha
Esses estranhos
Suburbanos tipo muçulmanos
Do Jacarezinho
A caminho do Jardim de Alá
É o bicho, é o buchicho, é a charanga
E adagas
Em sungas estufadas e calções disformes
Diz que eles têm picas enormes
E seus sacos são granadas
Lá das quebradas da Maré
Em polvorosa
A gente ordeira e virtuosa que apela
Pra polícia despachar de volta
O populacho pra favela
Ou pra Benguela, ou pra Guiné
Que bate na moleira, o sol
Que estoura as veias, o suor
Que embaça os olhos e a razão
E essa zoeira dentro da prisão
Crioulos empilhados no porão
De caravelas no alto mar
Engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arará



JULINHO DA ADELAIDE: A ICÔNICA TÁTICA DE CHICO BUARQUE PARA TAPEAR A CENSURA DA DITADURA
No dia 7 de setembro de 1974, uma icônica entrevista do compositor ‘Julinho da Adelaide’ foi publicada pelo jornal Última Hora
Durante a ditadura, ser um compositor que criticava o regime era tarefa difícil. Toda produção cultural deveria passar por um censor, que diria quais poderiam ser lançadas ao público e quais não poderiam. Chico Buarque, renomado músico brasileiro, estava entre os mais famosos artistas, com obras que costumavam ser censuradas pelo governo. Cansado, ele buscou uma forma de driblar o insistente obstáculo.
“Suas músicas eram proibidas somente porque levavam sua assinatura. A saída para burlar a censura foi a criação de um heterônimo. E deu certo”, explica o site Chico Buarque.
Julinho da Adelaide era a resposta para o problema. Assim como Chico, o compositor Julinho, assim que surgiu, se mostrou excelente no que fazia. Era capaz de conquistar grandes multidões com suas letras únicas e inteligentes.
Fonte: Aventuras na História






