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Global Witness lança ferramenta de alertas de desmatamento ligados à JBS

Global Witness lança ferramenta de alertas de desmatamento ligados à JBS

“A JBS diz que não consegue rastrear sua cadeia indireta, então estou ajudando”, justifica a organização internacional. Frigorífico alega que ferramenta é “confusa”.

Por Cristiane Prizibisczki/O Eco 

A organização internacional Global Witness lançou na última semana uma ferramenta de “alertas de desmatamento ilegal” entre os fornecedores indiretos da gigante da carne JBS. Chamada de “Brazil Big Beef Watch”, a ferramenta monitora de forma automatizada os casos de desmatamento possivelmente relacionados à cadeia produtiva indireta da JBS no estado do Pará e “avisa” a empresa pelo Twitter.

Ao explorar os dados de 2022, a ferramenta revelou que ocorreram pelo menos 61 eventos de desmatamento, com uma média de 46 hectares de terra desmatada a cada semana, no estado analisado. O total anual de 2.390 ha de desmatamento equivale a mais de 2 mil campos de futebol.

“A JBS não está conseguindo impedir que suas atividades contribuam para o desmatamento da maior floresta tropical do mundo, um bioma essencial para a manutenção do clima global”, justifica a organização.

Atualmente, a JBS é legalmente obrigada a não comprar de fornecedores diretos ligados ao desmatamento ilegal ou a casos de trabalho análogo à escravidão, por meio um compromisso firmado com o Ministério Público Federal, o chamado Termo de Ajustamento de Conduta da Carne (TAC da Carne). O problema é que o compromisso não contempla os fornecedores indiretos da empresa.

Maior produtora de carne bovina do mundo, a JBS obtém duas vezes mais gado de fornecedores indiretos do que seus fornecedores diretos, segundo a organização Chain Reaction Research (CRR). A exposição ao desmatamento ilegal, portanto, seria muito maior na cadeia de fornecimento indireito.

Estimativas da CRR sugerem que a pegada de desmatamento desses fornecedores indiretos pode ter atingido 1,5 milhão de hectares nos últimos 15 anos. 

Em 2020, a empresa firmou o compromisso de rastrear 100% dos indiretos até 2025, mas alega que, no momento, não é possível fazer isso.

A Global Witness discorda. Segundo a organização, já existem ferramentas disponíveis para tal rastreamento. “É claro que a JBS também poderia levantar essas informações e fazer isso sozinha. Mas não faz”, diz a organização.

A ferramenta de monitoramento sobrepõe os alertas de desmatamento gerados pelo MapBiomas com dados de propriedades rurais na Amazônia. Os dados de propriedade, por sua vez, são vinculados a guias de trânsito animal que conectam fornecedores a compradores em cada etapa da cadeia de abastecimento da carne bovina.

“Sempre que um alerta de desmatamento é acionado, nosso bot verifica grandes volumes de dados de trânsito animal para determinar se o caso ocorreu em uma fazenda que faz parte da cadeia indireta da JBS”, explica a Global Witness. 

“Digamos que estamos dando à maior empresa de proteína animal do mundo uma assessoria gratuita sobre onde procurar para garantir que ela não contribua para a aceleração do desmatamento. Também compartilhamos esses tweets com as instituições financeiras que apoiam a JBS para que todo mundo fique sabendo”, complementa a organização.

JBS contesta

Em resposta à Global Witness, a JBS disse que sua equipe técnica “achou que as informações fornecidas são geralmente escassas e superficiais, mas um melhor entendimento sobre a metodologia utilizada (bancos de dados e cruzamento de informações) seria útil para a JBS fornecer um feedback detalhado e robusto quando os dados são publicados”. Eles descreveram o método da Global Witness de identificar os fornecedores indiretos da JBS como “confuso e opaco”.

Procurada por ((o))eco para comentar a ferramenta e os resultados obtidos até o momento,  a JBS informou, em breve nota, que “solicitou uma reunião com a ONG para conhecer em detalhes a metodologia e, dessa forma, avaliar sua aplicabilidade jurídica e técnica. Não houve resposta até o momento”.

Cristiane Prizibisczki – Jornalista. Fonte: O Eco. Foto: Divulgação/Bitenka. Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade da autora.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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