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Haddad: Parasita é quem nunca produziu um parafuso

Haddad: Parasita é quem nunca produziu um parafuso

“Chamar servidor público de parasita? Um cara que vem do mercado financeiro e só lidou com especulação a vida inteira, nunca produziu um parafuso, vem chamar alguém de parasita?”

É hora de ir para a rua defender esse partido, defender esse legado e botar esses fascistas para correr!
 
Por Zezé Weiss
 
Foi com essas palavras, ditas para milhares de participantes da celebração dos 40 anos do PT, neste sábado, 8 de fevereiro, na Fundição Progrsso, no Rio de Janeiro, que  Fernando Haddad, candidato derrotado pela “fakeada” de um presidente que fugiu do debate em 2018, encantou a militância.
 
Segundo o ex-prefeito de São Paulo, o PT precisa ir pra rua para defender esse legado de quatro décadas de luta em defesa dos de abaixo, mas também porque só a militância na rua é capaz de botar “esses fascistas pra correr.” Animado pela militância, Haddad chamou a atenção para importância de deixar para trás os debates infrutíferos e de somar forças em defesa dos projetos do PT para o futuro.
 
Sobre as chamadas Fake News, em grande parte responsáveis por sua derrota para um candidato ausente e despreparado para governar o Brasil, Haddad propôs um avanço sem medo e com garra: “Se a gente ficar com medo de fake news, medo de rede social, medo de fascista, eles vão avançar. Se a gente mostrar a garra que a gente teve, eles vão recuar. E o país volta a ser governado por gente decente.”
 
Um dos pontos altos do discurso de Haddad foi sua crítica contumaz às declarações de Paulo Guedes, ministro da Economia do governo atual que, durante um seminário nesta sexta-feira, 7 de fevereiro, chamou os servidores públicos brasileiros de parasitas:  “Chamar servidor público de parasita? Um cara que vem do mercado financeiro e só lidou com especulação a vida inteira, nunca produziu um parafuso, vem chamar alguém de parasita?”
 
Fonte da Informação: PT 40 Anos
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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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