HISTÓRIA VIVA: UM CONVITE DA UNIVERSIDADE À COMUNIDADE

História Viva: um convite da universidade para a comunidade

Entre os dias 1º e 4 de setembro de 2026, Formosa receberá o V Simpósio Internacional de História da Universidade Estadual de Goiás (UEG) – Produção Histórica e Divulgação da História no Século XXI. O evento pretende afirmar a universidade como um espaço democrático, aberto ao debate, à circulação de ideias e à construção de experiências coletivas em diálogo permanente com a sociedade goiana, brasileira e internacional. Por isso, é aberto à comunidade e convida pesquisadores e estudantes, professores da educação básica, artistas, agentes culturais, movimentos sociais, coletivos e todas as pessoas interessadas em pensar a História e o mundo em que vivemos.

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A programação foi tecida de maneira diversa e transdisciplinar, com conferências, mesas-redondas, rodas de conversa, simpósios temáticos, minicursos, pôsteres, espetáculo teatral e aula-show. A proposta é ampliar os lugares e as formas de produção e divulgação do conhecimento histórico, criando oportunidades para que experiências, saberes e perspectivas possam se encontrar.

Nos dias 2 e 3 de setembro, das 17h às 23h, a Feira Mãos Coletivas tomará conta do pátio do evento reunindo artesanato, cultura, alimentação e convivência, mais uma possibilidade de encontro entre a comunidade acadêmica e a população de Formosa.

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A presença do Coletivo Itiquira também integra essa proposta de aproximação entre universidade, cultura e território. Território, entendido aqui como mais do que um chão geográfico, é a paisagem onde se inscrevem a história, a memória e as tradições de um povo, o lugar que dá nome e pertencimento a quem nele se reconhece.

O V Simpósio é resultado da articulação dos Cursos de História da UEG, presentes em diferentes regiões do estado, e de três programas de pós-graduação da Universidade: o Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS), o Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (PPG-TECCER) e o Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais, Memória e Patrimônio (PROMEP). Sua realização conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG).

Realizar o Simpósio é descortinar uma clareira, abrir um terreiro, desvelar um horizonte em que o saber produzido na universidade possa circular e novas perguntas possam germinar do diálogo com pessoas de diferentes formações, idades e regiões do país. Durante quatro dias, queremos derrubar muros, reunir trajetórias e fazer da História uma experiência viva, plural e compartilhada, porque ela atravessa muitos tempos, guarda muitas vozes e ganha novos sentidos cada vez que volta a ser contada, escutada e sentida. Esperamos vocês lá! Que a História de setembro seja feita por todos nós! 

V Simpósio Internacional de História da UEG Produção Histórica e Divulgação da História no Século XXI 1º a 4 de setembro de 2026 | Formosa – GO

Programação e informações: https://www.sisgeenco.com.br/eventos/simposio_historia_ueg/2026/ 

Profa. Dra. Michelle dos Santos Coordenadora do V Simpósio Internacional de História da UEG.
FEED V Simposio Internacional de Historia da UEG Post para Instagram 45 2

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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