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Índios Isolados: realidades e riscos enfrentados no Brasil e na Amazônia

Índios Isolados: realidades e riscos enfrentados pelos índios isolados no Brasil e na Amazônia – Segundo um levantamento feito pela Agência France Presse (AFP), a partir de informações da Fundação Nacional do Índio (Funai), existem hoje – no Brasil – cerca de 107 grupos indígenas isolados na Amazônia  brasileira. Além disso, na área amazônica inteira, que se estende por Peru, Bolívia e Colômbia abriga, em média, 128 comunidades isoladas.

Por Redação Xapuri

Esse número pode ser ainda mais amplo, pois a Colômbia já informou não saber a quantidade exata de comunidades indígenas espalhadas pelo país, considerando um número não-oficial de 15 grupos.

Segundo o portal Survival Internacional, há no Estado do Acre um número estimado de 600 indígenas pertencentes a quatro grupos diferentes, enquanto que em Rondônia, é possível que existam 300 indígenas isolados que evitam contato com qualquer tipo de visitante, e chegam a flechar aviões.

Entre os principais motivos para o isolamento está a violência que estes povos vivenciaram e ainda vivenciam diante do interesse por exploração de mata e madeira, grilagem de terras e mineração, além das doenças que os não-índios acabam introduzindo nos grupos, que não são reconhecidos por seus recursos de medicina.

Indígenas isolados sob ataque no Brasil

A FUNAI, desde 1987, conta com um departamento dedicado especialmente aos índios isolados, em que a política é fazer contato somente em casos em que sua sobrevivência esteja sob risco imediato. Do contrário, nenhuma tentativa de contato é realizada.

Entre as tribos isoladas no Brasil, é possível destacar três delas que estão sob ameaça de extinção, se não forem tomadas providências de segurança, como mapear e garantir as suas terras perante a lei, de forma a protegê-los de invasões, genocídio e enfermidades letais:

  • Índios Piripkura, no Mato Grosso: O “povo borboleta” como é conhecido em suas terras invadidas constantemente por madeireiros ilegais que bloqueiam caminhos na floresta para impedi-los de caçar;
  • Índios Kawahiva do Rio Pardo, Mato Grosso: Há evidências de que esse reduzido grupo sofre por ser alvo de madeireiros que os obrigam a abandonar as suas casas e continuar a fugir;
  • Índios Korubo do Vale do Javari, no Amazonas: Há relatos de que doenças graves e letais contraídas por forasteiros estão afetando o grupo, com consequências trágicas para os grupos isolados.

É válido destacar que muitos povos indígenas mantêm contato ocasional, na maioria das vezes hostil, com os grupos vizinhos. Isso significa que os povos isolados, ainda que nesta condição, têm conhecimento sobre as outras sociedades ao seu redor.

No entanto, fica claro que sabe-se muito pouco sobre esses povos. Mas, é possível notar, de fato, que eles desejam permanecer isolados e, consequentemente, seguros.

O filme Piripikura, vencedor do Festival de Cinema do Rio de Janeiro no ano de 2017 (piripkura-indigenas-isolados/), categoria documentário, e de outros festivais, inclusive no exterior, dão uma ideia da alttivez de Pakyî e Tamandua, dois dos três únicos sobreviventes do povo indígena Piripkura, depois da tragédia do massacre que dizimou uma cultura, um povo inteiro. Veja o filme:

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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