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Inhotim: Arte e natureza

Inhotim: Arte e natureza

Pessoas de toda parte chegam a Brumadinho, cidadezinha de cerca de 35 mil habitantes, na região metropolitana de Belo Horizonte, Quadrilátero Ferrífero, atraídas por um novo conceito: um museu onde natureza e arte se juntam para possibilitar a imersão das pessoas num mundo de riqueza cultural e ambiental ímpar. O Instituto Inhotim é um complexo museológico onde tudo coexiste sem apartação. Gente, arte e natureza, tudo em sintonia, tudo muito junto e muito misturado. E bem ali, entre as montanhas das Minas Gerais, onde outrora outro tipo de riqueza produziu separação, espoliação e estranhamento.

OUTRA RIQUEZA

shutterstock_191821928Mais de 500 obras produzidas por artistas de diferentes partes do mundo, refletindo de forma atual sobre as questões da contemporaneidade, se espalham nos diversos pavilhões, nas galerias e em áreas abertas, num cenário deslumbrante de jardins, lagos, montanhas e vales. Há, em Inhotim, obras criadas especialmente para morarem ali, para encantarem e surpreenderem, num local que já gerou decepção aos “desbravadores” de um sertão onde se buscava a esmeralda, verde objeto do desejo para os dedos e pescoços das moçoilas e donzelas de então, que ainda hoje faz brilhar olhos e minar bolsos salões afora.

Hoje, entretanto, a riqueza abrigada naquele espaço é de muito mais valia, de muito mais valor. Trata-se da produção e disseminação da cultura humana e da preservação ambiental, atreladas, para constituir possibilidade indiscutível de existência séculos adiante.

Em Inhotim é possível percorrer e admirar jardins, muitos deles concebidos por Burle Marx, além de pedaços de floresta, de ambientes rurais. Em cada parte, pode-se encontrar, à espreita, uma obra de arte. Ali, é possível sentir cheiros e sabores, ouvir animais, ver cores e viver amores.

Com novos projetos inaugurados periodicamente, incluindo obras criadas especialmente para o local e recortes monográficos e temáticos do acervo, Inhotim é a única instituição brasileira que exibe continuamente um acervo de excelência internacional de arte contemporânea.

JARDIM BOTÂNICO

shutter1Campo de estudos ou de mera contemplação, o Jardim Botânico Inhotim (JBI), abriga aproximadamente 5 mil espécies, 181 famílias botânicas, 953 gêneros, o que representa mais de 28% das espécies conhecidas do Planeta. Isso representa a maior coleção em número de espécies de plantas vivas entre os jardins botânicos brasileiros.

Ali está uma das mais relevantes coleções de palmeiras do mundo, com aproximadamente 1,4 mil espécies. E também a coleção de Arecaceae, família que inclui imbés, antúrios e copos-de-leite, com cerca de 450 espécies, a maior da América Latina. E, ainda, mais de 330 espécies de orquídeas para fascinar quem tem a sorte de deparar com suas flores, sempre motivos de fascínio e encanto. E muito mais.

No paisagismo do JBI encontram-se também espécies ameaçadas e plantas pouco conhecidas, estratégia utilizada para divulgar e sensibilizar os visitantes sobre a importância da biodiversidade vegetal para a sobrevivência humana.

LINHA DO TEMPO

  • 1980 – idealização, pelo empresário Bernardo Paz.
  • 2002 – fundação do Instituto Cultural Inhotim, instituição sem fins lucrativos, destinada à conservação, exposição e produção de trabalhos contemporâneos de arte e que desenvolve ações educativas e sociais.
  • 2005 – início das visitas pré-agendadas das escolas da região e de grupos específicos.
  • 2006 – abertura ao grande público em dias regulares e com estrutura completa para visitação.
  • 2007 – criação da Diretoria de Inclusão e Cidadania, voltada para o desenvolvimento regional.
  • 2008 – reconhecimento como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) pelo governo de Minas Gerais.
  • 2009 – reconhecimento da condição de Oscip pelo governo federal.
  • 2010 – recebimento do título de Jardim Botânico pela Comissão Nacional de Jardins Botânicos  (CNJB).

COMO CHEGAR

Partindo de Belo Horizonte, são cerca de 60 km, por três caminhos:

  1. Pela BR-381, em direção a Betim, depois da barreira da Polícia Rodoviária Federal, entrar à direita na marginal que leva à cidade de Brumadinho (trecho sinalizado).
  2. Pela BR-040, saída para o Rio de Janeiro, após o trevo de Ouro Preto, entrar à direita, na Serra da Moeda.
  3. Pela BR0-40, saída para o Rio de Janeiro, virar à direita no Posto Chefão, Parque Rola Moça (km 547).

Contato:

Telefone: +55 31 3571-9700
E-mail: info@inhotim.org.br
Endereço: Rua B, 20, Brumadinho – MG – Brasil – CEP 35 460-000
Fonte: www.inhotim.org.br

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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