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Letícia Parks: No Brasil do golpe, mulheres e negros sofrem mais com a fome

Letícia Parks: No Brasil do golpe, mulheres e negros sofrem mais com a fome

“No Brasil do golpe, mulheres e negros sofrem mais com a fome”, afirma Letícia Parks

Quatro em cada dez famílias brasileiras são atingidas pela fome. As casas sustentadas por mulheres e negros são os mais atingidos, escancarando o racismo e o machismo. Letícia Parks, da bancada revolucionária de trabalhadores do MRT, comentou o assunto ao Esquerda Diário.

Redação
Quase metade das famílias brasileira passa fome. É isso que revelou a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, realizada entre junho de 2017 e julho de 2018, que entrevistou 58 mil domicílios em todo o país.
O resultado mostra um agravamento do quadro em todo o país, com a porcentagem de famílias submetidas à chamada “insegurança alimentar”, eufemismo utilizado para tratar a fome, tendo subido de 23% em 2013 para os atuais 37%. Letícia Parks, da bancada revolucionária de trabalhadores do MRT que concorre às eleições para vereador em São Paulo, comentou os resultados da pesquisa:
“Que exista um ser humano sequer que passe fome em pleno século XXI é um atestado completo da falência do sistema capitalista, que rege uma sociedade onde se produz muito mais alimento do que o necessário para alimentar toda a humanidade, mas mesmo assim a fome persiste, já que o objetivo da produção não é suprir as necessidades humanas, mas sim gerar lucro para uma pequena parcela parasitária de capitalistas que lucra bilhões às custas dos famintos do mundo.
No Brasil, vemos que durante a era do PT no governo, apesar de todo o discurso de governo popular, escandalosamente após uma década de governo ainda eram 23% dos lares em que havia fome, enquanto os latifundiários enriqueciam como nunca. Contudo, se compararmos os dados daquela época com os de hoje, fica bem claro a serviço de que foi dado o golpe institucional que colocou Temer no governo: em poucos anos a fome voltou a crescer imensamente, chegando aos atuais 37%.
Esses dados criminosos também revelam o machismo e o racismo que permanecem como base do sistema capitalista: entre os domicílios que têm alimento assegurado em quantidade suficiente, apenas 39% são chefiados por mulheres. Já nas residências onde a fome é presente, 75% tem como arrimo de família os negros. No Brasil do golpe, mulheres e negros sofrem mais com a fome, que se torna uma realidade cada vez mais presente.
Outro dado que mostra como os pobres são mais afetados pela crise é o que mostra que nas famílias atingidas pela fome, o gasto médio mensal com arroz é de R$ 15,01, enquanto nas que possuem segurança alimentar é de R$ 11,32. Neste momento, em que vemos como consequência da ganância capitalista o preço do arroz disparar, são os lares mais empobrecidos e famintos os que são mais uma vez os mais atingidos.
Os lares do norte e nordeste também sofrem mais, com 57% e 50% de lares famintos respectivamente, contra 31% e 21% de sudeste e sul, respectivamente. Nas regiões mais pobres do país, mais da metade das casas não tem comida suficiente à mesa. Esse crime abominável é de responsabilidade dos capitalistas e de seu regime político. Em meio à pandemia e ao reacionário governo de Bolsonaro, essa trágica situação só piora. Para acabar com isto defendemos o imediato fim do pagamento da dívida pública e a taxação das grandes fortunas para garantir o salário mínimo estipulado pelo DIEESE (R$ 4.420) e o salário emergencial de R$ 2 mil às famílias atingidas pela pandemia. Também é necessário proibir o aumento dos itens de alimentação básicos, nos enfrentando com os lucros dos capitalistas para garantir que todos possam se alimentar dignamente.”
Fonte: Esquerda Diário

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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