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Longa Vida, TV Comunitária de Brasília!

Longa Vida, TV Comunitária de Brasília!

A TV Comunitária de Brasília está no ar desde 13 de agosto de 1997 e completa hoje 24 Anos de ocupação, resistência e produção audiovisual inteiramente comunitária e de acesso público no canal 12 na NET-DF, empresa do Grupo Claro, prestadora de serviço de tv a cabo por assinatura.

A TV Comunitária está acessível a um público estimado em 1 milhão de pessoas na cidade pelo Canal 12 na NET, sem contar as outras plataformas pelas quais a TV Comunitária pode ser assistida, tais como facebook e instagram TVComDF, site www.tvcomunitariadf.  A TV Comunitária pode ser assistida pelo aparelho de tv, tablete, celular, notebook e computador PC.

A primeira reunião para criação da TV Comunitária de Brasília ocorreu em 27 de fevereiro de 1996 (vide fac-símile do jornal NR), no Auditório do Sindicato dos Jornalistas, com representantes de 28 instituições sociais. A TV já surgiu a partir de um processo comunitário e democrático e assim se mantem até os dias de hoje.

A TV Comunitária de Brasília é de responsabilidade da Associação de Entidades Usuárias de Canal Comunitário
do Distrito Federal, inscrita no CNPJ nº 03.006.470/0001-50, desde 13/8/97, há 23 anos na NET-DF, empresa de TV a Cabo. A Ata de Eleição e Posse da Direção da TVComDF e Estatuto da TVComDF estão ambos registrados no Cartório 1º Ofício de Brasília.

A TV comunitária é um canal de televisão legal de acordo com a Lei 12.485/2011, cujo inciso VIII do Artigo 32 garante o uso do canal para organizações não-governamentais. Está ancorado também pela Norma 100 da Ancine
e pela Nota Técnica SAJ nº 311/2014, de autoria da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Em 2018, por exemplo, produção repetida em 2019, a TV Comunitária produziu, ao vivo, mais
de 400 programas. Em 2020, e agora em 2021, a TV Comunitária continua produzindo centenas de programas por ano, prestando imensurável conhecimento à comunidade de Brasília e região. 

Além do canal 12 na NET, a TV Comunitária de Brasília pode ser acessada pelo site www.tvcomunitariadf.com; pela fanpage TVComDF e pelo Instagram TVComDF.

Parabéns ao Paulo Miranda, e a toda essa turma guerreira da TV Comunitária por esses 24 anos de afeto, dedicação e muito amor. Longa Vida à TV Comunitária. Que venham outros 24. E outros, e outros! 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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