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Lula e a Rebeldia: Desobedecer é a ordem

Lula e a Rebeldia: Desobedecer é a ordem

Por Fabio St Rios

A oficialização da candidatura do ex-presidente Lula, pelo PT, vai além de uma simples confirmação ou um ato protocolar de eleição. Em meio a um dos golpes de estado de natureza mais perversa da história do país, por manter a dúvida entre a ilegalidade e a pseudo-constitucionalidade, o maior partido de esquerda da América Latina decide manter, à revelia da ditadura do Judiciário, a candidatura do ex-presidente Lula, um preso político.

O ato, em si, se torna uma importantíssima afirmação da discordância com o estado de coisas estabelecido pela Lava Jato. Lembra, então, a afirmação imperativa de que quando as leis são desumanas, a desobediência é uma obrigação.

A união em torno do nome do ex-presidente Lula foi demonstrada pelos 600 delegados da executiva nacional do PT, com voto unânime por aclamação. O valor desse ato afirmativo para a história do país, ainda não mensurado, figurará nos livros da historiografia futura, como o dia da desobediência. Mais do que isso, levar a candidatura do ex-presidente, preso injustamente, até o final, obrigando o judiciário a sujas suas mãos no golpe, está além de uma estratégia eleitoral, é uma demonstração da dignidade histórica presente somente nos que rebelam.

Acima de tudo, se viver é um ato político, a rebeldia é o que dá significado ao sentido de mudar um mundo tão completamente injusto. A candidatura Lula legitima as ocupações de terreno, as ocupações das fábricas, as ocupações de terras improdutivas e as diversas vezes se enfrentou o Batalhão de Choque, pelo direito a ter voz. Mesmo que em muitos casos saibamos da expulsão, muda-se muito pouco, com o máximo de insistência mas, a desistência nunca será uma opção.

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Fábio St Rios – Estudou Ciência da Computação, Engenharia Metalúrgica na UFF, Engenheiro de Software, Desenvolvedor, Programador, Hacketivista e Estudante de História na UniRio.

Fonte desta matéria: apostagem

Foto interna: Acervo lula.com.br

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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