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“Lula Livre”, grita Gleici Damasceno…

“Lula Livre”, grita Gleici Damasceno ao vencer BBB18 com 57% dos votos
 
A estudante de psicologia do Acre Gleici, vencedora desta edição do Big Brother Brasil 18, soube da prisão do ex-presidente Lula assim que pisou fora do reality show e não se aguentou. “Lula livre!”, gritou, antes de engrenar uma conversa com o namorado, o curitibano Wagner.
Esta edição do BBB foi marcada por manifestações políticas — todas de esquerda, ou ao menos contra o ora presidente Michel Temer. O bordão “Fora Temer” surgiu já no paredão de Helcimara, a Mara, primeira eliminada do programa. Ao sair da casa, Viegas também bradou contra Temer e ainda soltou um “Eita p***” ao saber da prisão de Lula, um dia antes.
Quando entrou no BBB, Gleice afirmou que iria se esforçar para não ser a mocinha da casa. “As pessoas falam que tenho um jeitinho meigo, mas, quando quero alguma coisa, vou atrás e luto muito. Para defender uma ideia, uso todos os argumentos, ninguém me vence. Eu sempre quero ganhar uma discussão”, assumiu, antes de ingressar na casa.
 
A estudante é ativista de direitos humanos, filiada ao Partido dos Trabalhadores e militante da Juventude Negra. Defende o feminismo por tudo que viu a mãe passar. Se considera polêmica, pois sempre tenta fazer valer a sua opinião e defende enfaticamente seus pontos de vista. Mas, ao mesmo tempo, diz ter um lado meigo e doce. “Tudo o que passei na vida não me permite baixar a cabeça”.
 
Gleice parece mesmo ter dado a ‘real’ sobre sua personalidade. Aos poucos, conquistou quase todos os confinados e o público fora da casa. De opinião forte, protagonizou cenas que incendiaram a internet, entre elas, seu retorno “triunfal’ à casa após uma falsa eliminação no paredão em que disputou a permanência no programa com a empresária Paula e o sexólogo Mahmoud.
 
Ao retornar imune à casa, repetiu a famosa frase “vocês não sabem o prazer que é estar de volta”, usada por Clara ao rever seus inimigos na novela O outro lado do paraíso e teve uma discussão séria com Patrícia. Além da imunidade, o paredão falso garantiu à estudante o direito de indicar alguém ao verdadeiro paredão. A escolhida foi a cearense, eliminada com 94,26% dos votos.
 
Durante o confinamento, Gleice se envolveu com o artista visual Wagner. Os dois se deram bem logo no início do programa. A acreana contou sua história de vida a ele. Falou sobre a infância difícil, chorou, mas garantiu que não queria que ninguém ali sentisse pena dela. Quando Wagner foi eliminado, os dois prometeram se encontrar fora da casa.
gleici bbb 18
 
Fontes: 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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