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Lula: “O Brasil nunca precisou tanto do PT como hoje”

Lula: “O Brasil nunca precisou tanto do PT como hoje”

Declaração foi dada em discurso na abertura do 7º Congresso Nacional do PT; ex-presidente ressaltou também necessidade de união dos partidos
 
Enquanto a esquerda debate uma possível união para as próximas eleições, numa tentativa de derrotar a direita, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na noite desta sexta-feira, 22/11, que o Brasil nunca precisou tanto do PT como hoje. A declaração foi dada em discurso feito na abertura do 7º Congresso Nacional do PT, que ocorre em São Paulo, na Casa de Portugal.

“Pela primeira vez fizemos um governo para todos os brasileiros e brasileiras. Se fosse para governar a somente uma parte, o Brasil não precisaria do PT”, disse. Em seguida, listou uma série de problemas econômicos do País e algumas tragédias como as que ocorreram em Brumadinho, Mariana e o óleo que se espalha pelas praias do Nordeste. “O Brasil nunca precisou tanto do PT como hoje, e o PT tem que ser grande o bastante”, acrescentou.

O ex-presidente, contudo, ressaltou que não é possível “salvar o Brasil” com um único partido. Ele destacou que é preciso haver uma união das legendas de esquerda e centro-esquerda.

Lula está em liberdade, após ter ficado 580 dias preso na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Ele foi condenado em duas instâncias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, mas foi solto há duas semanas após o Supremo Tribunal Federal (STF) votar a favor de entendimento de que condenados só poderão ser presos depois de esgotados todos os recursos.

Lula contou que recebeu conselhos para não polarizar o debate político no Brasil, mas indicou que rejeita a ideia, pois o PT precisa se posicionar como contrário ao governo do presidente Jair Bolsonaro. “Nos falam para não polarizar como se o Brasil não estivesse há séculos polarizado entre os poucos que têm muito e os muitos que não têm nada”, disse. “Temos que ter a coragem de dizer que somos, sim, o oposto do governo Bolsonaro, não dá para ficar em cima do muro ou no meio do caminho”, disse.

O ex-presidente afirmou também que lutará para que sua sentença seja anulada e ele tenha um julgamento justo. “Lutarei nos tribunais para que reconheçam que quem me condenou nem sequer poderia ter me julgado”, afirmou, em referência ao ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça. “Ele não tinha autoridade ética nem moral para me julgar”.

A cerimônia de abertura do congresso contou também com a presença da ex-presidente Dilma Rousseff e de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e candidato do PT à Presidência da República na eleição do ano passado, derrotado no segundo turno pelo presidente Jair Bolsonaro. Estão ainda a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e diversos parlamentares do partido e políticos de outras siglas de esquerda.

Dilma falou por alguns minutos e criticou o governo Bolsonaro. Segundo ela, a última medida econômica adotada pelo presidente, de cobrar tributos dos desempregados por meio do seguro-desemprego, mostra o quanto é necessário mudar o Brasil. “E será um caminho um pouco mais fácil porque temos a grande liderança do País ao nosso lado”, afirmou a ex-presidente, em referência a Lula.

Candidato do PSOL à Presidência em 2018 e líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos defendeu a união da esquerda contra o governo Bolsonaro. “Aquilo que nos separa, aquilo que nos diferencia, é muito menor do que aquilo que nos une contra o governo Bolsonaro, contra a direita. Precisamos construir a unidade”, afirmou.

Haddad, em seu discurso, disse que a esquerda não pode subestimar as forças políticas que se aliam a Bolsonaro. No entanto, afirmou que, se foi um erro do PT subestimar um adversário como Bolsonaro e seus aliados, é um “erro maior ainda” subestimar a força da militância petista. “Temos a melhor militância do mundo no Brasil”, disse.

Também estiveram presentes os ex-tesoureiros do PT Delúbio Soares e João Vaccari Neto, o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado federal José Genoíno. Todos foram condenados por esquemas de corrupção, mas estão em liberdade. Em seu discurso, Gleisi chegou a exaltar os nomes deles. Dirceu preferiu não ficar no palco durante o evento e apareceu apenas quando teve seu nome chamado, para acenar ao público.

Fonte: Terra

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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