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A lenda da Mãe-do-ouro

A lenda da Mãe-do-ouro

A lenda da Mãe-do-ouro

Contam os mais antigos que desde meados do século 18, tempo do Ciclo do Ouro, a Mãe-do-Ouro anda pelo interior do Brasil, especialmente nas regiões onde existe o cobiçado metal. Aqui em Goiás não há quem já não tenha ouvido falar nela.

Tida como grande defensora da Natureza, a entidade aparece sob a forma de uma bola de fogo, pairada no ar, indicando os locais onde se encontram jazidas de ouro que não devem ser exploradas.

Dizem que é uma espécie de protetora desses depósitos naturais de ouro e que graças a ela ainda não devastaram tudo. Todo garimpeiro sabe que a desobediência ao aviso é certeza de infortúnio. E dizem também que poucos usam desobedecê-la.

Em muitos lugares do brasil, a Mãe-do-Ouro toma a forma de uma mulher bonita que habita cavernas e locais sombrios, e, após atrair homens que maltratam as esposas, os faz largar suas famílias, mas trata de não deixar a mulher sofrendo, e coloca outra pessoa em seu caminho.

A lenda diz que a Mãe-do-Ouro é ainda mais implacável ao saber de um caso de violência contra a mulher. Aí, durante a madrugada, a bola de fogo se transforma em uma belíssima mulher, trajada com um vestido longo de seda e com cabelos dourados refletindo muita luz, e sai voando pelos ares até o local onde a sofredora mora com seu algoz. Usando do seu fascínio, atrai o malvado e o leva para uma caverna de onde nunca mais o liberta.

Desaparecido o fulano, ela trata de colocar outra pessoa na vida da mulher, um companheiro ou companheira de verdade, para partilhar conquistas e enfrentar as lutas cotidianas.

Eu mesma, nunca vi. Mas não sou garimpeira e nem homem que maltrata mulher. Mas, considerando quem me contou, não posso duvidar que exista.

Obs.: publicado originalmente em 21 de jun de 2016


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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