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MapBiomas anuncia Sistema de Alerta de Desmatamento no Cerrado

MapBiomas anuncia Sistema de Alerta de Desmatamento no Cerrado

MapBiomas anuncia Sistema de Alerta de Desmatamento no Cerrado

Em nota publicada dia 10 de janeiro de 2022, a iniciativa MapBiomas anunciou o desenvolvimento do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento) específico para o Cerrado, que poderá ser ativado em face do risco de descontinuidade da atuação dos programas Prodes e Deter do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para o bioma…

Por redação Ipam Amazônia

“A detecção do desmatamento por sensoriamento remoto no Cerrado é uma ação estratégica para a proteção da biodiversidade e para o regime de águas na região onde nascem as principais bacias hidrográficas do país. Também é fundamental para garantir transparência sobre informações ambientais numa das regiões mais importantes para a produção da agropecuária nacional”, consta no documento.

Diretor no Inpe, Clézio De Nardin disse que não são verdadeiras as informações de que o monitoramento do Cerrado seria descontinuado a partir de abril por falta de verba. “Isso não é verdade. Pelo contrário, estamos ampliando o monitoramento dos biomas brasileiros. O que se encerrou foi um financiamento para o bioma Cerrado, agora nós estamos buscando recursos através do Fundo Nacional de Ciência Tecnologia para continuar esse programa”, afirmou em um vídeo publicado nas mídias sociais do órgão.

O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, onde nascem 8 das 12 principais bacias hidrográficas do país. É a savana mais biodiversa do planeta e um hotspot de biodiversidade mundial. Além de abrigar milhões de brasileiros e brasileiras, o Cerrado é fonte de renda de povos, comunidades tradicionais, agricultores familiares. Um verdadeiro pilar da economia e da produção agrícola nacional.

“Esperamos que a ameaça de paralisação do Prodes e do Deter Cerrado não se concretize e que o trabalho de excelência realizado pelo Inpe continua a ser apoiado e valorizado. Mas, se isso acontecer, faremos todo o possível para que o monitoramento seja garantido e disponível a toda a sociedade por meio do SAD Cerrado”, encerra a nota do MapBiomas. Leia a íntegra.

Sobre o MapBiomas

Iniciativa multi-institucional que processa imagens de satélites com inteligência artificial e tecnologia de alta resolução em uma rede colaborativa de especialistas, universidades, ONGs, instituições e empresas de tecnologia para a criação de séries históricas e mapeamentos de uso e cobertura da terra no Brasil. O IPAM é a instituição responsável pelo mapeamento da vegetação nativa no bioma Cerrado dentro da rede MapBiomas.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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