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Militar se suicida após condenação por assassinato

Militar se suicida após condenação por assassinato de Víctor Jara

Hermán Chacón Soto, de 86 anos, foi condenado a 25 anos de prisão pelo sequestro e homicídio do cantor símbolo da luta contra a ditadura de Augusto Pinochet

Por Lucas Toth/Portal Vermelho

Após a Suprema Corte chilena confirmar a sentença de 25 anos de prisão pelo sequestro e homicídio do cantor chileno Víctor Jara, o general reformado Hermán Chacón Soto, de 86 anos, suicidou-se nesta terça (29) pouco antes de ser preso.

Depois da condenação, a Polícia de Investigação (PDI) se dirigiu ao bairro de Las Condes, área nobre de Santiago, para efetuar a ordem de captura e transferência de Chacón Soto para a prisão de Punta Peuco, cerca de 40 km da capital chilena.

Ao receber os agentes e funcionários dos direitos humanos, o militar pediu um tempo para tomar um medicamento e pouco depois atirou em si mesmo.

Nesta segunda (28), Chacón Soto e outros cinco militares (Raúl Jofré González, Edwin Dimter Bianchi, Nelson Haase Mazzei, Ernesto Bethke Wulf e Juan Jara Quintana) foram condenados a 15 anos prisão pelo assassinato e 10 anos pelo sequestro de Víctor Jara e Littré Abraham Quiroga Carvajal, advogado e militante do Partido Comunista Chileno.

Militante do Partido Comunista e colaborador do governo da Unidade Popular de Salvador Allende, Victor Jara foi detido no dia seguinte ao golpe militar de Augusto Pinochet, no dia 12 de setembro de 1973, na Universidade Técnica do Estado (UTE) – hoje Univerisdade de Santiago de Chile.

O cantor e professor de 40 anos se reuniu na UTE com colegas e alunos para orquestrar a resistência nas primeiras horas de ditadura.

Logo pela manhã daquela quarta, a universidade foi invadida por tropas militares que detiveram cerca de 600 pessoas, inclusive Víctor Jara. Já no momento da detenção, reconhecido por um dos oficiais, Jara foi separado dos demais e golpeado com brutalidade.

Ele foi conduzido com outros policiais, sendo exibido quase como um troféu. Naquela noite, o cantor foi interrogado e torturado, permanecendo posteriormente sob custódia em um dos corredores do local, sem comer nem beber água.

No dia 15 de setembro, transferiram Víctor Jara para o Estádio Nacional onde foi assassinado no dia seguinte. Lá, o artista referência da Nova Canção chilena foi torturado barbaramente e seu corpo encontrado com mais de 44 tiros, muitos dedos quebrados, a língua cortada e com queimaduras de cigarro.

A história pela luta por justiça no caso do cantor Víctor Jara foi documentado no longa “Massacre no Estádio: A História de Víctor Jara”, disponível na plataforma Netflix.

50 anos do golpe de Pincochet

A confirmação da sentença dos seis militares condenados pelo sequestro e assassinato de Jara e Littré aconteceu 15 dias antes dos 50 anos do golpe de Augusto Pinochet contra o governo do presidente Salvador Allende.

“Os fatos descritos (…) são reais, uma vez que ocorreram em determinado local e momento e foram comprovados, legalmente credenciados através das provas”, afirmou o tribunal superior em decisão unânime.

Além da sentença, a Justiça chilena ordenou indenização de CLP$ 150 milhões (cerca de R$870 mil) para viúva de Víctor Jara e seus filhos, e CLP$80 milhões (cerca de R$460 mil) os irmãos do cantor.

O Ministro da Justiça chileno, Luis Cordero, afirmou que a sentença é “reparativa”. “São processos que duram muito tempo, mas em certo sentido, as sentenças judiciais também têm um papel reparador, não só quando os culpados são condenados, mas também quando se descobre a história das vítimas”, disse Cordero.

O regime de Pinochet (1973-1990) durou 17 anos e deixou mais de 40.000 vítimas, incluindo executados, detidos-desaparecidos, presos políticos e torturados, e mais de 3.200 opositores morreram nas mãos de agentes do Estado.

Fonte: Portal Vermelho Capa: Reprodução

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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