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Câncer: Pequenas decisões que podem salvar sua vida

Câncer: Pequenas decisões que podem salvar sua vida

Em 30 de junho de 2015 fui diagnosticada com um tipo agressivo de câncer de mama, com metástase na axila direita e tumor primário em local não identificado. Eu não tinha a menor ideia do que significava, na vida real, um tumor oculto, nem como tratar, nem como buscar um caminho anticâncer para essa nova fase de gangorra da minha existência.

Por Zezé Weiss

Os dias seguintes foram de preocupações horríveis e angústias infindáveis. Não bastasse as dores das biópsias,  a espera do resultado do petiscam (o exame mais sofisticado disponível para a localização de cânceres), e outra bateria de biópsias porque nem o petiscam encontrou o infeliz do primário, tinha ainda a desesperante sensação de não saber o que fazer.

No meio da agonia, o que mais me valeu foi o conforto da família, desse bando de abelhas alvoraçadas que são minhas irmãs, o carinho das visitas, as milhares de mensagens (literalmente) por todos os meios, as dezenas de receitas de remédios caseiros, rezas, mandingas e patuás.  E dicas, muitíssimas dicas fundamentais sobre como cuidar de mim, aguentar o tranco e sair com vida do tratamento.

Maria Amália, moradora de Cunha, na estrada que liga São Paulo ao Rio, mais pra perto de Paraty, ela mesma portadora de um câncer que regrediu e há alguns anos já não dá sinal de vida, me ligou em uma daquelas manhãs tenebrosas com a sugestão de leitura: “Leia o livro Anticâncer, de David Servan-Schreiber, este livro vai ajudar você a encontrar um caminho para a cura.”

Na primeira ida a Brasília, Joe me trouxe o livro,  em Português (meses depois, Joe me trouxe dos Estados Unidos a versão original, em Inglês). Por desespero, porém sem muita esperança de encontrar algo realmente útil, comecei a ler.

Que surpresa boa! Dentre os muitos ensinamentos que incorporei de imediato ao meu viver, adotei grande parte destas medidas simples que, segundo o autor, fazem uma grande diferença na prevenção e no tratamento do câncer. Compartilho aqui. Talvez sirva para alguém que você conheça.

ESTILO DE VIDA E MODO DE VIVER: PEQUENAS DECISÕES QUE FAZEM UMA GRANDE DIFERENÇA

  1. PROTEJA-SE
  • Evite produtos com componentes químicos
  • Se você usa roupas lavadas-a-seco (eu sempre usei muito, por conta das viagens), deixe-as ventilar bastante antes de guardar em espaço fechado.
  • Evite pesticidas e inseticidas em sua casa e em seu próprio corpo (livrai-me, Nhanderu desses malditos pernilongos).
  • Evite colocar sua pele em contato com alumínio (fico imaginando que fazer assados cobertos com alumínio não pode ser uma boa ideia)
  • Evite cosméticos que contenham estrógeno e placenta em sua composição.
  • Fique longe de bebidas e alimentos expostos a plásticos quentes (vasilhas de plástico que vão ao micro-ondas, canecas e garrafas de plástico, enlatados em recipientes plásticos).

2. DIETA

  • Adote uma dieta orgânica tanto para vegetais quanto pra produtos animais. Carne, produtos de laticínio, ovos, vegetais, frutas, grãos, o máximo possível orgânico.
  • Mantenha uma dieta balanceada. Reduza o açúcar, as farinhas industrialmente processadas, e os óleos de cozinha industriais. Experimente usar o óleo de coco.
  • Aumente a ingestão de Ômega 3 (presente nos peixes, algas e azeites orgânicos).
  • Aprenda a utilizar com regularidade os produtos anticâncer: açafrão, chá verde, verduras e frutas vermelhas de caroço).
  • Passe a beber água filtrada nos filtros de barro caseiros (os mais eficientes do mundo). Evite passar os líquidos que toma por filtros industriais.

3. ATIVIDADE FÍSICA 

  • Faça pelo menos 20-30 minutos de atividade física por dia.
  • Tome um mínimo de 20 minutos de banho-de-sol todo dia (pela Vitamina D).

4. MEDITAÇÃO 

(Dessa atividade eu passei bem longe, mas quem faz diz que realmente ajuda).

  • Procure relaxar por meio de atividades de meditação, como Yoga ou outra que lhe faça sentir melhor.

5. LIBERTE-SE DOS SENTIMENTOS DE IMPOTÊNCIA

  • Resolva traumas passados
  • Aprenda a aceitar seus sentimentos como eles chegam, incluindo a tristeza, o medo, o desespero, a mágoa e a raiva.
  • Fale com as pessoas em quem confia sobre seus sentimentos (Essa dica também usei pouco, porque acho que o  povo ao meu redor sempre se sentiu mais perdido e impotente do que eu).

ANOTE AÍ:  Essas dicas importantes foram extraídas e traduzidas por mim da versão em Inglês do livro “Anticâncer – A New Way of Life”, Editora Viking, England. O livro é leve e bom de ler. Vale a pena.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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