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Morre Gabriel Diniz, o cantor do hit ‘Jenifer’, poucos meses depois de ficar famoso nacionalmente

Morre Gabriel Diniz, o cantor do hit ‘Jenifer’, poucos meses depois de ficar famoso nacionalmente

Cantor do hit ‘Jenifer’ morre poucos meses depois de ficar conhecido nacionalmente, quando explodiu nas paradas e foi aclamado no Carnaval de Salvador

Por: Felipe Betim – brasil.elpais

Gabriel Diniz viveu seu mais intenso verão neste 2019. A ascensão meteórica veio ao emplacar nacionalmente o hit Jenifer, o que se traduziu em uma agenda de 20 shows por mês e em sua consagração no Carnaval 2019. Um sucesso repentino que durou cerca de intensos seis meses, encerrados com sua morte prematura nesta segunda-feira, após a queda do avião no qual estava em Sergipe.
Mas a vida musical de Gabriel Diniz, morto com apenas 28 anos, não se resume ao sucesso sobre o Tinder. Nascido em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, se mudou durante a adolescência para João Pessoa, na Paraíba, e forjou sua carreira de cantor de forró com amigos da escola. Vocalista de bandas como Cavaleiros do Forró —que teve outros dois vocalistas mortos em circunstâncias trágicas—, tornou-se conhecido regionalmente e gravou desde 2016 três álbuns de estúdio e três ao vivo. Também já havia gravado com astros da música nacional os sucessos Acabou, acabou, com Wesley Safadão (também seu sócio), e Paraquedas, com Jorge e Mateus. Ambas são de 2017 e acumulam mais de 67 milhões e 19 milhões de visualizações no YouTube, respectivamente.
O auge veio após Gabriel Diniz apostar em uma letra que faz referência ao “match” que dá início a tantos relacionamentos hoje, embalada em uma mistura de forró e sertanejo que gruda nos ouvidos como chiclete: “O nome dela é Jenifer / Eu encontrei ela no Tinder / Não é minha namorada / Mas poderia ser”. Se Chico Buarque falava de moças na janela e bandinhas de sopro e virou um totem na MPB, Diniz buscou seu lugar na Música extremamente Popular Brasileira ao retratar as vicissitudes do amor digital e buscar a identificação das grandes massas. Por um intenso verão, conseguiu.

A letra foi escrita por oito pessoas do “coletivo de autores” Big Jhows, de Goiânia, celeiro de boa parte de artistas do sertanejo pop que logo ficam nacionalmente conhecidos. A ideia veio em meados de 2018, quando Junior Lobo, um dos integrantes do coletivo, estava lanchando com amigos. Uma mulher então apareceu de repente e abraçou um deles. “A menina era meio feinha, e depois que ela foi embora, fui zoar ele: ‘E aí, é sua namoradinha?’. Ele respondeu: ‘Não, é do Tinder”, contou ao portal G1 em janeiro. “Veio na hora: isso é tema. A gente tem que botar Tinder numa música. Aí fui para outra dimensão. A gente lanchando lá e eu ‘matutando’ como ia ser a música”. Alguns dias depois compartilhou a ideia com seus colegas e Jenifer veio ao mundo, obedecendo a certo padrão de composição, que busca tendências internacionais ou bebe das redes sociais e dos termos usados na Internet para conhecer o comportamento do público e abastecer o atual mercado de música pop.

Mas para emplacar, além de fórmula, Jenifer precisava do faro de Gabriel Diniz. O coletivo Big Jhows vendeu os direitos da canção para o cantor Gusttavo Lima, que chegou a gravá-la e a cantá-la em um show. Mas não a lançá-la. Em uma viagem para Goiânia, em busca de composições que pudessem se transformar em hits, Gabriel Diniz se encontrou com os Big Jhows e conheceu Jenifer. Ao saber que já estava vendida a Lima, buscou o colega e comprou de forma amigável os direitos da música pelo mesmo valor vendido inicialmente. Um clipe foi então lançado em setembro com a atriz Mariana Xavier e foi ganhando público pelo país até se transformar no mega hit de verão. Nem a equipe de Diniz confiava no êxito, segundo relatou o cantor ao G1. “Ninguém achou que ia ser esse sucesso. Nem o pessoal do meu escritório, nem meu empresário. O Wesley [Safadão] não acreditou, ninguém acreditou. Foi uma aposta minha, sozinho mesmo”, explicou.

Até esta segunda-feira o clipe de Jenifer já acumulava mais de 233 milhões de visualizações no YouTube e mais de 60 milhões de audições no Spotify —um número naturalmente inflado pela morte de seu intérprete. Diniz ainda surfava na onda gerada por ele mesmo. Não teve tempo de buscar o seu próximo hit. O cantor deixa a namorada Karoline Calheiros.
Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/27/cultura/1558981538_431522.html

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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