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Nara Bueno e Lopes: Orgulho goiano!

Nara Bueno e Lopes: Orgulho goiano! Feminista e Especialista em Direito Eleitoral

A advogada das mulheres, a advogada goiana, estudiosa, prova que a luta é possível e que os meios políticos precisam de novos (pens)ares. Assim se faz mudanças.

Por Iêda Vilas-Bôas

Predominada por homens, a advocacia eleitoralista, que traz desde o amparo aos candidatos pra que eles ajam juridicamente corretos, até a análise de grandes questões eleitorais, é um ramo inóspito para a Mulher. A maioria dos especialistas são homens, e a Mulher, como em diversas áreas de atuação social e cultural, tem de conquistar seu espaço.

Nara Bueno e Lopes é advogada especializada em Direito e Processo Eleitoral pela FD/UFG e mestranda em Direitos Humanos (UFG), com concentração de estudos nas áreas da democracia brasileira, política e a ocupação das mulheres nos espaços de poder, professora, palestrante, membro da Comissão de Direito Político e Eleitoral da OAB/GO, membro da ABMCJ (Associação Brasileira das Mulheres de Carreiras Jurídicas), líder jurídica das Goianas na Urna – GnU. Uma das mulheres do estado de Goiás que luta pela visibilidade das mulheres e pra que a voz da mulher, em todos meios, seja ouvida e considerada.

A EC 107/20 confirmou sua voz, suas acertadas previsões de tratamento dos prazos que afetam os candidatos e como eles devem conduzir suas ações. Orgulho dizer que uma advogada filha de Goiás mostrou em seus prognósticos que estava corretíssima, apesar da retaliação da maioria masculina opressora. Pelo menos antes da confirmação, claro. Depois, tentam, como típico, roubar os louros para o homem.

Voltando às eleições, ao papel de análise de um jurista, e da vida sob a nuvem pandêmica que assola a nação, a advogada teve de refletir sobre o todo linear e encontrar a lógica jurídica dentro disso. O adiamento das eleições foi extremamente necessário para a preservação da vida e contingência pandêmica, e como disse a própria Dra Nara Bueno e Lopes: “Eleições por si geram aglomerações, e, neste momento, devemos priorizar a vida; todos nós”. Mas o com o adiamento das eleições houveram polêmicas, discussões e até previsões sobre diversas questões detalhadas do direito.

Levantaram-se questionamentos a respeito de prazos e possibilidades diversas (inclusive porque os eleitoralistas como a Dra. Nara Bueno e Lopes precisam instruir seus clientes, que são os candidatos, a agirem corretamente dentro do que é a lei).

Nessa situação, a lei se abriu para uma volatilidade incomum, e com estudo, a Dra Nara Bueno e Lopes chegou à conclusão que usou para instruir os seus clientes, e também para elucidar a questão em programas de rádio, lives pela internet e entrevistas em outros veículos de mídia, apesar de contrariada pela opinião dos demais “especialistas”. Todos homens, claro.

Mas, o estudo é um grande aliado do conhecimento e, para a Doutora, um enorme prazer e uma arma para lutar contra o exército sempre contrário de homens que oprimem, ou pelo menos assim tentam fazer, a Mulher. Sua opinião foi originalmente retaliada pelos “especialistas” homens, quando comprovada correta, sua opinião foi veiculada falsamente como uma opinião unanime entre ela e outros dois advogados; afinal, a mulher teoricamente não pode ter sua opinião, sozinha, correta e sem precisar de apoio de homens. Isso é o que culturalmente é rito, mas a Dra. Nara esclareceu e, com seu estudo, sua garra de mulher goiana, que luta em prol dos direitos da mulher, faz-se orgulho por seu despontar.

Fato é que o que ninguém mais disse, a Drª Nara disse primeiro: a EC 107/20, como dito, confirmou os prognósticos da Drª Nara Bueno e Lopes.

À época, foi questionado (algumas vezes indelicadamente, ela salienta) porque seu posicionamento era contrário ao de outros “especialistas” do âmbito do direito eleitoral. Hoje, como disse a advogada, é fácil saber.

Durante a construção dessa história era arriscado prognosticar, mas necessário para instrução de seus clientes. Afirma a doutora:

“Desde o primeiro momento, contrariando o entendimento “da maioria” dos profissionais da área, sim, eu a advogada, mulher, goiana, feminista, que luta em prol dos direitos humanos, estava correta — a EC 107/20 (PEC18/20) confirma  que os prazos vencidos já precluíram!”

E apesar de todo movimento de sabotagem da figura feminina, da detenção de conhecimentos pela Mulher, e de uma advogada Eleitoralista isolada em meio à opressão de uma classe repleta de homens (muitos travados em conceitos obsoletos) a Dra Nara Bueno e Lopes orgulha seu estado e, com certeza, a si mesma, por ter mostrado o próprio poder da Mulher nos espaços de poder que até pouco antes eram ocupados confortavelmente por homens.

Mas a advogada das mulheres, a advogada goiana, estudiosa, prova que a luta é possível e que os meios políticos precisam de novos (pens)ares. Assim se faz mudanças.


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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