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Operação conjunta resgata 532 trabalhadores em condição de escravidão

Operação conjunta resgata 532 trabalhadores em condição de escravidão

Os estados com o maior número de trabalhadores resgatados foram Minas Gerais, com 204 casos, seguido por Goiás, São Paulo, Piauí e Maranhão.

Por Mídia Ninja/Redação

No mês de agosto de 2023, a Operação Resgate III, uma ação conjunta envolvendo seis órgãos, incluindo a Polícia Federal (PF), Defensoria Pública da União (DPU) e Ministério Público do Trabalho (MPT), resultou no resgate de 532 trabalhadores em todo o Brasil que se encontravam em condições análogas à escravidão. Isso representa um aumento de 57,8% em comparação com o ano anterior.

Minas Gerais, Goiás e São Paulo lideram resgates

Os estados com o maior número de trabalhadores resgatados foram Minas Gerais, com 204 casos, seguido por Goiás (126), São Paulo (54), Piauí (42) e Maranhão (42). As atividades de cultivo de café, alho, batata e cebola dominaram os resgates na área rural, enquanto restaurantes, oficinas de costura, construção civil e trabalho doméstico foram os principais focos de resgate na área urbana.

Ministro do Trabalho e Emprego pede ação contra o trabalho análogo à escravidão

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou a importância da Operação Resgate III em sensibilizar a sociedade e o empresariado sobre a questão dos direitos trabalhistas. Ele enfatizou que o trabalho análogo à escravidão é uma violação dos direitos humanos inaceitável e que é preciso intensificar as fiscalizações e incentivar a adesão dos agentes econômicos às leis trabalhistas.

Trabalho infantil e exploração doméstica também encontrados

A operação identificou 26 crianças e adolescentes submetidos ao trabalho infantil, sendo que seis deles também estavam em condições análogas à escravidão. Além disso, foram resgatados 10 trabalhadores domésticos, incluindo uma idosa de 90 anos que trabalhava sem carteira assinada por 16 anos no Rio de Janeiro.

*Com informações da Agência Brasil

Fonte: Mídia Ninja. Foto: Operação resgate III/Divulgação.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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