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Orfeu

“ORFEU NEGRO” CELEBRA 65 ANOS DE SUA VITÓRIA EM CANNES

“Orfeu Negro” celebra 65 anos de sua vitória em Cannes

Clássico do cinema brasileiro, aclamado por reimaginar o mito de Orfeu nos morros cariocas, ganhou a Palma de Ouro, um dos prêmios de maior prestígio do cinema mundial

Por Barbara Luz/Portal Vermelho

Neste 15 de maio, o cinema brasileiro marca 65 anos desde que “Orfeu Negro”, dirigido por Marcel Camus, conquistou a Palma de Ouro no prestigiado Festival de Cannes. O filme, uma adaptação da peça “Orfeu da Conceição” de Vinicius de Moraes, é reconhecido por sua narrativa poética e trágica, que reimagina o mito grego de Orfeu e Eurídice no cenário vibrante dos morros cariocas durante o Carnaval.

Além do prêmio máximo em Cannes, “Orfeu Negro” é aclamado mundialmente, tendo impulsionado a popularidade da bossa nova. A trilha sonora, uma colaboração de ícones como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Luiz Bonfá e Antonio Maria, inclui clássicos como “A Felicidade”, “Manhã de Carnaval” e “O Nosso Amor”.

A trama central segue Orfeu, um motorista e músico do Rio de Janeiro, noivo de Mira, mas que se apaixona por Eurídice, uma visitante do vilarejo que chega à cidade para escapar de um perseguidor. O romance floresce em meio ao fervor do Carnaval, mas é tragicamente interrompido, levando Orfeu a uma jornada desesperada para reencontrar sua amada, mesmo nas sombras da morte.

O filme, lançado na França em 12 de junho de 1959, também é lembrado por suas cenas emblemáticas e por momentos de controvérsia, como críticas feitas pelo cineasta Jean-Luc Godard na revista “Cahiers du Cinéma”, onde apontava falhas no roteiro. Apesar disso, a obra permanece um clássico venerado, exemplificando a rica interseção entre cultura popular brasileira e cinema de arte global.

Abaixo, uma versão do longa disponibilizado no Youtube:

com agências

Fonte: Portal Vermelho Capa: Imagem de Ullstein Bild via Getty Images


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revista 115

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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