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Os 40 Anos Da Pancadaria Da Freguesia Do Ó

Os 40 Anos Da Pancadaria Da Freguesia Do Ó

Por Antonio Alberto Gomes Figueiredo

Há 40 anos, na manhã de 21 de junho de 1980, manifestantes populares se concentraram no Largo do Clipper, na Freguesia do Ó, onde estenderam faixas reivindicatórias, e de lá seguiram à sede da Administração Regional (antiga designação para as Subprefeituras), onde estava a comitiva do governador biônico Paulo Maluf, que inventou um programa chamado “Governo Itinerante” que ia aos bairros fazer proselitismo.

A manifestação, ao chegar em frente ao prédio da Regional, foi recebida por policiais do Dops que jogaram bombas e, a seguir, as fileiras de repressores: “rapas” e policiais, avançaram, principalmente sobre os parlamentares presentes: Sergio Santos, Benedito Cintra e Geraldinho Siqueira (todos de oposição do MDB), espancando ainda padres e líderes comunitários, num ataque violento e desproporcional, afinal, era só o povo reunido querendo ser ouvido.

Muita gente ficou ferida neste dia. Esse episódio, amplamente fotografado e coberto pela grande imprensa, com grande destaque, passou a ser chamado de “Pancadaria da Freguesia do Ó” – que gerou inúmeros outros atos de protesto e manifestações posteriores e a solidariedades de políticos da oposição de todo o Brasil.

A Freguesia do Ó e as lideranças dos bairros próximos foram vítimas de uma das mais violentas e brutais repressões à população organizada em uma manifestação que se tem noticia na Capital.

O Movimento Popular, anos depois, em futuras gestões, conseguiu, enfim, a construção do Pronto Socorro da Freguesia do Ó, localizado na Av. João Paulo I, que, não por acaso, se chama: Pronto Socorro 21 de Junho.”

Fonte: Jornal Freguesia News

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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