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Otoniel Fernandes transforma Brasília em um ateliê de pintura ao ar livre

Otoniel Fernandes transforma Brasília em um ateliê de pintura ao ar livre

Otoniel Fernandes transforma Brasília em um ateliê de pintura ao ar livre

No Brasil, àquela época, esse modo de pintar também seria impulsionado, especialmente, pelas instituições que se dedicavam ao ensino…

Por Redação Jornal de Brasília

A pintura ao ar livre, amplamente incorporada ao repertório da arte, ganhou impulso com os impressionistas ao final do século XIX. Junto às novidades da indústria – tintas a óleo em uma vasta gama de tons e pincéis de diversas espessuras –, eles partiam para “enfrentar” a paisagem com seus cavaletes dobráveis e estojos portáteis, contendo o necessário para exercitar suas técnicas consideradas, então, revolucionárias. No Brasil, àquela época, esse modo de pintar também seria impulsionado, especialmente, pelas instituições que se dedicavam ao ensino das belas-artes.
Repetindo o procedimento dos pioneiros pintores franceses, Otoniel Fernandes – que se notabilizou por retratar os espaços abertos de Brasília, com seus monumentos característicos – instalou-se, em horários diversos, debaixo de ipês e paineiras, além de outras árvores, e até mesmo dentro de embarcações, para captar ângulos da paisagem da Capital nem sempre percebidos pelos habitantes em seu cotidiano. As telas resultantes dessa experiência estarão expostas na Câmara Legislativa do Distrito Federal a partir desta terça-feira (26), na mostra intitulada “Brasília, um atelier ao ar livre”.
Áreas turísticas, bem como edifícios que se destacam pelas formas arquitetônicas – incluindo a sede da CLDF –, nos quadros do artista, são apresentadas a partir de pontos de vista inusitados, que acrescentam novos olhares a locais conhecidos da cidade. Às pinturas, Otoniel Fernandes também acrescenta pássaros, flores e pessoas em situações diversas (muitas vezes em “movimento”), detalhes que humanizam a paisagem brasiliense. Suas telas destacam-se ainda pelo colorido intenso à maneira do Impressionismo.
Com a mostra na Câmara Legislativa, o artista retoma as exposições presenciais, interrompidas durante a pandemia. Cearense, nascido em Fortaleza, ele chegou a Brasília no início dos anos 1970. Em 1982, realizaria sua primeira individual, aos 18 anos de idade. Cursou Licenciatura em Artes Plásticas, na UnB, e não largou a pintura, adotando a técnica óleo sobre tela, participando de dezenas eventos pelo país.
Da metade da década de 1990 em diante, dedicou-se a exposições temáticas, com ênfase na pintura ao ar livre, que resultaram em mais de uma dezena de livros, entre eles, “Velho Chico Ilustrado”, sobre o rio São Francisco, e “Impressões da Serra da Capivara”. No final do ano passado, trabalhos de sua autoria ilustraram parte do calendário para o ano de 2022 distribuído pela TV Câmara Distrital.

Exposição “Brasília, um atelier ao ar livre”

Pinturas a óleo de Otoniel Fernandes
Foyer do Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal
Visitação: 26 de abril a 27 de maio de 2022
Horário: 9 às 19h, segunda a sexta-feira
Classificação indicativa: livre para todos os públicos.
Entrada Franca

*Com informações de Marco Túlio Alencar – Agência CLDF

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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