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Partiu Beto Mafra, o militante imprescindível das jornadas de Resistência

Partiu Beto Mafra, o militante imprescindível das jornadas de Resistência

“Levou a sério a ideia de ser estrela… Agora segue lá de cima iluminando nossas lutas…” 💔😢 Lucas Tiné

“Cadê ocê, Bestão?” Em 13 de janeiro, Fernando Frajola buscava notícias do amigo Beto Mafra, que se denominava,  ele próprio, como o “Bestão”.  Hoje, o “Bestão” tomou o rumo dos mistérios do infinito. 

Beto Mafra partiu deste mundo na noite desta quinta-feira, dia 23 de março. O DCM informa que Beto estava internado após uma cirurgia para remover um tumor do aparelho digestivo. Infelizmente, nosso companheiro não resistiu ao período de recuperação. 

Conhecido entre a militância petista e de por seu bom humor, Beto fez de seu ativismo digital importante ferramenta de luta contra o impeachment da Dilma, a prisão de Lula, os desmandos do genocida. Tuiteiro dos mió, tornou-se imprescindível nas jornadas de Resistência deste nosso tempo recente de trevas e turbulências. 

Sua companheirada toda começa a expressar nas redes sociais sobre sua partida. Nós nos somamos na dor da despedida e na celebração do lindo legado de luta deixado por Beto Mafra. 

 
Beto a vida e uma merda

Veja a repercussão nas redes:

#RIP 💔
Amigo irmão de caminhada, de vida ❤️…de orkut, orkontro, de militância, de risadas gostosas, de lutas, de deboche, de dias nublados, de chuva, de sol, de partilhar alegrias, tristezas, perdas, confidente….AMIGO, IRMÃO, COMPANHEIRO, CAMARADA, Beto Mafra 💔😥
Hasta cualquier día, compañero hermano😥
TiLovi por siempre 🌹❤️
Beto Mafra bravo sensivel
 
Beto Mafra recente
Beto Mafra 1 1

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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