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Policial ameaça trabalhadores sem terra a pedido de bolsonaristas em Juiz de Fora

Policial ameaça trabalhadores sem terra a pedido de bolsonaristas em Juiz de Fora

Policial ameaça trabalhadores sem terra a pedido de bolsonaristas em Juiz de Fora

Via Mídia NINJA

Na manhã desta quarta-feira (11/05/2022), assentados e acampados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) aguardavam a chegada do no município de Juíz de Fora (MG) quando foram surpreendidos por policiais armados.

Os militantes esperavam pacificamente a passagem do presidente que está em caravana pelo estado de MG. No registro, um grupo de bolsonaristas incitavam a Polícia Militar para atacar os militantes que em nenhum momento demonstraram .

No vídeo publicado pelo perfil @mst.zm.mg (confira abaixo) é possível ouvir uma das pessoas argumentando “tá tendo uma manifestação pacífica rapaz”, com a intenção de interromper a investida agressiva dos policiais.

 

“Com esses episódios que aconteceram hoje em Minas Gerais, da truculência da Polícia Militar contra as manifestações pacíficas em apoio à candidatura do presidente Lula, repudiamos a atitude da PM em fazer esse tipo de repressão contra nosso povo e proteção aos bolsonaristas. Não queremos um país dividido, mas queremos um país democrático e participativo”, disse Alexandre Conceição, pela direção nacional do MST, que também cobrou ação do governador Romeu Zema.

Vale lembrar, que Bolsonaro por diversas vezes atacou publicamente o MST e dirigentes do movimento. Bolsonaro chegou a apresentar o Projeto de Lei 732, para criminalizar a ação dos trabalhadores, na tentativa de atualizar a lei antiterrorismo.

Jair foi eleito em 2018 defendendo esse PL que ataca os e incita o ódio entre os seus apoiadores. Alem disso, o número de ocupações feitas pelo coletivo é o menor nos últimos 10 anos.

Militantes organizados pelo MST garantem que a queda no número de lutas travadas no meio rural se deve a legitimidade que o governo federal concedeu aos agentes de e a população armada.

Famílias que vivem nas terras ocupadas e produzem comida orgânica para alimentarem comunidades inteiras, temem a própria vida na gestão bolsonarista e de Zema.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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