Portugal, 25 de abril: Salve a Revolução dos Cravos!

Portugal, 25 de abril: Salve a Revolução dos Cravos!

“Hoje, 25 de abril de 2022, Portugal comemora os seus 48 anos de emancipação política pela Revolução dos Cravos, o movimento gestado em Angola, Moçambique e na Guiné Bissau, e que, no ano de 1974, derrubou o regime salazarista e transformou Portugal em uma  terra de liberdades democráticas,  capaz de esperançar os corações humanos em todos os rincões do planeta Terra. 
 
A Revolução dos Cravos resgatou Portugal de uma sangrenta ditadura, estabelecida em 1926,  e mantida a mãos de ferro pelo regime inspirado no fascismo italiano de Antônio de Oliveira Salazar desde o ano de 1932. Em 1933, a Constituição promulgada por Salazar suprimiu  as liberdades de reunião, de organização de expressão.
 
Em 1968, Salazar sofreu um derrame cerebral e foi substituído por Marcelo Caetano, seu primeiro ministro, que, embora tivesse tentado manter a política ditatorial de Salazar, por conta da decadência econômica e do desgaste da guerra colonial na Guiné-Bissau, em Angola e em Moçambique, enfrentou os ventos adversos de um movimento social efervescente contra a ditadura.
 
Grândola Vila Morena, música de Zeca Afonso proibida pela censura, foi a senha dada à meia-noite do dia 25 de abril para a eclosão da Revolução dos Cravos. Marcelo Caetano foi deposto pelos próprios militares. O General António Spínola assumiu o comando da nação. Marcelo Caetano fugiu para o Brasil.
 
Em êxtase, a população saiu às ruas com as mãos cheias de cravos, a flor nacional de Portugal, e as distribuiu aos soldados rebeldes em forma de agradecimento. 
 
Salve o 25 de Abril! Salve o Dia da Liberdade! Salve a Revolução dos Cravos!
 
Capa: MST. 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

 
 
 
 
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