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Preço da comida continuará nas alturas

Preço da comida continuará nas alturas

Preço da comida continuará nas alturas

Deflação observada no mercado brasileiro não atinge a população mais pobre e vulnerável, que continuará a sofrer com o preço dos alimentos…

Por Rene Gardim/via Jornalistas Livres

Em julho, a economia do Brasil sofreu deflação e pode repetir o feito agora em agosto. Mas quase ninguém sentiu essa mudança que faz os valores, na média geral, caírem. Isso acontece porque é usada uma “cesta” de produtos e serviços para calcular o percentual de variação dos preços no país como um todo. Como os alimentos pesam muito mais no orçamento dos mais pobres, o reflexo da deflação registrada no último mês não chegou à maioria da população.

A deflação é diferente da queda dos níveis de inflação, que é quando os valores continuam subindo, mas de forma mais “lenta”. Preço deflacionado significa que houveram alguns produtos e/ou serviços que passaram a custar menos. Mas necessariamente nem todos.

Lembre-se que o índice oficial da inflação é medido a partir de uma cesta de produtos e serviços. O que aconteceu no Brasil é que houve uma queda artificial da gasolina e, em menor nível, do diesel, dois componentes de peso na tal cesta.

Os governos estaduais foram pressionados a reduzir o percentual cobrado de Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, depois que o Congresso Nacional, tangido pelo governo federal, aprovou uma lei neste sentido, mas que vale apenas até o fim do ano, numa jogada puramente eleitoreira.

Juntamente com a lei que reduz as alíquotas do ICMS, o governo federal decidiu zerar também a cobrança dos impostos federais (Pis/Pasep, Cofins, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, e Cide, Contribuição de Intervenção no Domínio Público) sobre a gasolina e o etanol até o fim de 2022. Assim, qualquer brasileiro agora pode pegar seu carro e encher o tanque. Resta saber como, se grande parte não consegue nem mesmo comprar comida.

E por falar em comida, os preços da cesta básica, essa sim composta por alimentos, continuou subindo. Em julho, esse aumento foi de 1,3%. Alimentos e bebidas já subiram 9,83% nos primeiros sete meses de 2022, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual é mais do que o dobro da inflação do período medida pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice da inflação oficial, que foi de 4,77%.

Quando a deflação foi anunciada, juntamente com a previsão de repeteco em agosto, houve quem alardeasse que, agora sim, vamos ver os preços dos alimentos caírem este mês. Mais parece uma torcida do que uma análise econômica. Nada indica que haverá uma ampla diminuição nos valores da comida do prato do brasileiro. Isso para quem ainda consegue comprar comida.

É preciso lembrar que temos dezenas de milhões de brasileiros que passam fome, num país que insiste em manter o rótulo de “celeiro do mundo”.

http://xapuri.info/francisco-de-assis-e-francisco-de-roma/

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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