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Professora dedica prêmio a Lula: “Pessoa que mais investiu na inclusão social”

Professora dedica prêmio a Lula: “Pessoa que mais investiu na inclusão social”

Sílvia Ester Orrú, Professora da UnB, recebe prêmio em Paris e o dedica a Lula: “Pessoa que mais investiu na inclusão social”


Sílvia Ester Orrú é  professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), onde coordena o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Aprendizagem e Inclusão (LEPAI).

Ela desenvolve estudos e pesquisas principalmente sobre inclusão e diferença no contexto escolar e universitário.

Por conta do livro que escreveu  — O Re-inventar da Inclusão: os desafios da diferença no processo de ensinar e aprender”, ela ganhou o III Prêmio Internacional de Ensaio em Educação e Aprendizagem.

A entrega foi em Paris, no dia 20 de julho, durante o VII Congresso de Educação e Aprendizagem.

Como não pode estar presente, uma amiga, Ana Luíza, recebeu o certificado em seu lugar.

A professora Silvia gravou e enviou um vídeo (veja acima) de agradecimento,  que foi exibido na cerimônia.

Ao final, dedicou o prêmio a todos os presentes e a “todas as  pessoas que se incluem nesse conjunto da ‘minoria’”.

Dedicou-o também ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Pessoa que mais investiu na inclusão social dos menos favorecidos aqui do Brasil”, frisou.

No momento em que citou Lula, os presentes ao evento aplaudiram muito.

Fonte: ViOMundo

Abaixo a transcrição do vídeo:

Olá, a todos os presentes no VII Congresso de Educação e Aprendizagem!

Lamentavelmente, não posso estar aí com vocês em Paris, França, terra de Deleuze e Guattari, autores que me inspiraram à escrita da obra “O Re-inventar da Inclusão: os desafios da diferença no processo de ensinar e aprender”, resultado de minha pesquisa de pós-doutorado.

Mas, desde aqui, à distância mesmo, do Brasil, saúdo a todos vocês e agradeço cordialmente à organização do Congresso bem como ao Comitê Científico que me outorgaram o III Prêmio Internacional de Ensaio em Educação e Aprendizagem.

Para mim é uma honra receber esse reconhecimento de vocês. Agradeço profundamente!

A diferença não é apenas uma qualidade, uma característica de algumas pessoas.

A diferença é própria da espécie humana e, portanto, nós precisamos considerá-la como um elemento importantíssimo para o processo de inclusão de todas as pessoas, independentemente de suas singularidades, independentemente de suas origens, raça, sexo, religião, fronteiras.

Eu desejo profundamente que a diferença, que a compreensão da nossa maior característica como seres humanos, bem como o amor, o amor “mundi”, o amor que não tem fronteiras, possa abraçar a todos nós para produzirmos mais frutos para novas metodologias, para a construção de novas abordagens e novas compreensões sobre os seres humanos a partir de uma concepção de que todos devem usufruir de seu direito à educação.

Eu aproveito para dedicar esta obra a todos vocês presentes no congresso e também a todas as crianças, a todos os imigrantes, a todas as pessoas que se incluem nesse conjunto da “minoria”.

E aproveito também para dedicar ao nosso ex-presidente Lula, pessoa que mais investiu na inclusão social dos menos favorecidos aqui do Brasil.

A vocês o meu abraço sincero e carinhoso!

Muito obrigada!

Profa. Dra. Sílvia Ester Orrú

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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