Projeto Uxirana é contemplado no Edital Aldir Blanc 2025, na Floresta Nacional do Purus

PROJETO UXIRANA É CONTEMPLADO NO EDITAL ALDIR BLANC 2025

Projeto Uxirana é contemplado no Edital Aldir Blanc 2025, na Floresta Nacional do Purus

O Projeto Uxirana, liderado pela artesã Arlete Maciel, foi contemplado pelo Edital Aldir Blanc 2025

Por Juliana Belota/ASCOM Projeto Uxirana

O artesanato caboclo da Floresta Nacional (FloNA) do Purus foi contemplado, ficando em primeiro lugar no Edital de Chamamento Público Nº 13/2024, Edital de Fomento à execução de ações culturais de cultura popular, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e do Ministério da Cultura (MINC), com o Projeto Uxirana: artesanato caboclo. O projeto promoverá capacitação para beneficiamento dos Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM), na Escola de Arte e Saberes Florestais Jardim da Natureza – um museu a céu aberto – localizado na vila Céu do Mapiá/ FloNA do Purus. 

Segundo a coordenadora do projeto, Arlete Maciel, o objetivo do projeto é dar continuidade aos processos produtivos na oficina de beneficiamento, na comunidade. “Além do beneficiamento propriamente dito, o projeto traz em seu escopo, ações voltadas a educação não formal, e temas como a educação patrimonial, a conscientização ambiental e o protagonismo juvenil, fortalecendo os processos de inclusão social e em rede”, afirma Arlete Maciel.  

O projeto Uxirana organiza-se em torno do plantio, da coleta, do beneficiamento, e da produção do artesanato. A produção é voltada ao artesanato holístico e às linhas de acessórios, utilitários e decorativos. Trata-se de um projeto piloto que incrementa o desenvolvimento da cadeia produtiva da semente, mas também de cipós, pigmentos naturais, e fibras vegetais, o qual interage com o manejo florestal da FloNA, em busca da sustentabilidade. 

Ao todo, 20 jovens serão capacitados. O projeto conta com uma equipe de 14 pessoas, entre coordenadores, produtores, designers e artesãos. Fazem parte da equipe do projeto além de jovens protagonistas da comunidade, a mestre artesã, Arlete Maciel, Francesco Maciel, designer oficineiro e coordenador local, especialista em biojoia, a produtora executiva, Bianca Squarisi, a fotógrafa e criadora de conteúdo digital, Maria Celeste da Silva, o aprendiz de mateiro e organizador de eventos, Antônio José Tomás, a designer de biojoia, Karina Henestrosa, a artista cênica e coordenadora de mídia social, Jackeline Monteiro, o artista multimedia e coordenador de mídia audiovisual, Felipe Fernandes, e a jornalista e antropóloga, Juliana Belota. 

O objetivo do projeto Uxirana é dar continuidade aos avanços alcançados nos últimos anos, quando a realização de grande parte do beneficiamento dos Produtos Florestais não Madeireiros (PFNM), desde a colheita até o replantio ganhou destaque, na comunidade, no projeto Encantar da Floresta, apoiado pelo Instituto Nova Era. 

Segundo a coordenadora geral do projeto, a mestre artesã, Arlete Maciel, a energia elétrica sempre foi um entrave para a realização do beneficiamento dos PFNM, na comunidade. Contudo, com o projeto Encantar da Floresta, chegou a energia e foi devidamente implementada a oficina de beneficiamento, na comunidade Vila Céu do Mapia. 

“Conseguimos implementar a instalação da energia elétrica, no fim do projeto Encantar da Floresta. Então, neste momento, como o projeto Uxirana, vamos alavancar o processo do beneficiamento, na comunidade”, diz e acrescenta: “Estamos começando com muitas sementes já colhidas só para serem beneficiadas – toda colheita e replantio já foi feita no Encantar da Floresta. Isto é uma vantagem porque já vamos direto ao produto, o artesanato caboclo – criação e produção do artesanato, o que é importante para cada artesão ter o seu sustento. 

“Esta é uma busca do artesão que mora na Floresta Nacional a 30km do rio Purus, na Mesorregião do Sul do Amazonas, entre a Microrregião do Purus e a Microrregião de Boca do Acre, no Município de Pauini, gerar renda para o sustento das famílias, além de trabalhar a consciência ecológica”, destaca Arlete Maciel.  

Nessas oficinas, informa: “o aluno não aprende só o beneficiamento, mas aprende o conhecimento sobre o que é a planta, a cadeia ecológica envolvida com ela, quais o animais se alimentam dela e a polinizam, enfim, falamos do bioma, da caracterização das paisagens, do ciclo vital da planta e todo este conhecimento vai se passando de geração em geração, é assim que aumentamos a consciência sobre a preservação da floresta”. 

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p style=”text-align: justify;”>Com a finalidade de valorizar os saberes florestais, através da criação e produção de peças artesanais, participam do projeto, jovens mães de família, a Escola Cruzeiro do Céu, a Escola de Arte e Saberes Florestais Jardim da Natureza, e o grupo que atua do Plano de Manejo da FloNA. 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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