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Proposta do Brasil de criação do plano global de saúde indígena é aprovado na OMS

Por unanimidade, proposta do Brasil de criação do plano global de saúde indígena é aprovado na OMS

Aprovação acontece em um momento em que forças conservadoras tentam minar o trabalho do Ministério dos Povos Indígenas

Por Mídia Ninja

Em uma decisão histórica, a proposta brasileira para a criação de um plano global de saúde indígena recebeu aprovação unânime dos governos ao redor do mundo na Organização Mundial de Saúde (OMS).

Essa aprovação acontece em um momento em que forças conservadoras tentam minar o trabalho e o mandato do Ministério dos Povos Indígenas no Brasil, bem como a questão da demarcação de terras, destacou o jornalista Jamil Chade.

Essa iniciativa inédita contou com o apoio de países da União Europeia, além de Bolívia, Cuba, Austrália, Estados Unidos, Canadá e Peru, demonstrando um amplo respaldo internacional.

Durante os debates realizados no último sábado (27), países de diferentes regiões reconheceram o papel de liderança desempenhado pelo Brasil, incluindo Dinamarca, Nigéria, Guatemala e México, além da própria OMS. De fato, a agência anunciou prontidão para iniciar imediatamente a elaboração do plano, destacando a importância histórica dessa resolução.

Além das medidas nacionais, a resolução estabelece que a OMS desenvolva uma estratégia global, um processo que terá a duração de três anos. O governo brasileiro enfatiza que os grupos indígenas devem participar diretamente desse processo de elaboração, garantindo a sua representação e voz.

Criada em 2010, a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde atende mais de 762 mil indígenas aldeados em todo o Brasil.

A Sesai é responsável por coordenar e executar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) no Sistema Único de Saúde (SUS).

Fonte: Mídia Ninja Capa: Ricardo Stuckert/PR


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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