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Risoto de pequi com carne de sereno

Risoto de pequi com carne de sereno

Risoto de pequi com carne de sereno

Por Lúcia Resende

Fiz este risoto, publiquei as fotos nas redes sociais, e foram muitos pedidos de receita e explicações, por exemplo, sobre o que é carne de sereno.

Pois bem, a carne de sereno, muito apreciada por aqui, nada mais é que uma carne temperada com sal grosso, colocada para escorrer depois que o Sol se põe e retirada antes do raiar do dia (ou seja, é uma carne de sombra).

Pois bem, para esta receita, ou para qualquer outro uso, a carne de sereno deve ser preparada na véspera (já escorrida, pode ser congelada). Gosto de fazer com lagarto ou coxão duro, mas pode ser outra, de acordo com a preferência. Dito isso, vamos lá!

[divider]Ingredientes[/divider]

  • 200 gramas de carne de sereno
  • 2 xícaras de arroz arbóreo
  • 1 cebola média
  • 5 a 6 caroços de pequi
  • 50 gramas de queijo parmesão ralado
  • 2 dentes de alho
  • 3 colheres de azeite
  • 1 colher cheia de manteiga gelada
  • Sal
  • Pimenta-de-cheiro
  • Pimenta-do-reino
  • Alho-poró

[divider]Modo de fazer[/divider]

Corte a carne em cubinhos, passe água fervendo e escorra. Em seguida, amasse o alho e a pimenta-de-cheiro com um pouco de sal e corte a cebola em cubinhos pequenos. Em uma panela, coloque o azeite, doure o alho e acrescente a cebola, em seguida a carne e a pimenta-do-reino. Refogue bem, pingando água, até que a carne esteja macia. Junte o pequi, o arroz arbóreo, sal, e refogue bem. Depois, vá colocando água aos poucos, mexendo sempre, até que o arroz fique “al dente” e bem cremoso. Acrescente o alho-poró, o parmesão, regule o sal. Desligue o fogo, junte a manteiga gelada e mexa bem. Está pronta a delícia!


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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