Risoto de pequi com carne de sereno

RISOTO DE PEQUI COM CARNE DE SERENO

Risoto de pequi com carne de sereno

Fiz este risoto, publiquei as fotos nas redes sociais, e foram muitos pedidos de receita e explicações, por exemplo, sobre o que é carne de sereno.

Por Lúcia Resende

Pois bem, a carne de sereno, muito apreciada por aqui, nada mais é que uma carne temperada com sal grosso, colocada para escorrer depois que o Sol se põe e retirada antes do raiar do dia (ou seja, é uma carne de sombra).

Flor de Pequi – Wikipedia

Pois bem, para esta receita, ou para qualquer outro uso, a carne de sereno deve ser preparada na véspera (já escorrida, pode ser congelada). Gosto de fazer com lagarto ou coxão duro, mas pode ser outra, de acordo com a preferência. Dito isso, vamos lá!

  • 200 gramas de carne de sereno
  • 2 xícaras de arroz arbóreo
  • 1 cebola média
  • 5 a 6 caroços de pequi
  • 50 gramas de queijo parmesão ralado
  • 2 dentes de alho
  • 3 colheres de azeite
  • 1 colher cheia de manteiga gelada
  • Sal
  • Pimenta-de-cheiro
  • Pimenta-do-reino
  • Alho-poró

Corte a carne em cubinhos, passe água fervendo e escorra. Em seguida, amasse o alho e a pimenta-de-cheiro com um pouco de sal e corte a cebola em cubinhos pequenos. Em uma panela, coloque o azeite, doure o alho e acrescente a cebola, em seguida a carne e a pimenta-do-reino.

Refogue bem, pingando água, até que a carne esteja macia. Junte o pequi, o arroz arbóreo, sal, e refogue bem. Depois, vá colocando água aos poucos, mexendo sempre, até que o arroz fique “al dente” e bem cremoso. Acrescente o alho-poró, o parmesão, regule o sal. Desligue o fogo, junte a manteiga gelada e mexa bem. Está pronta a delícia!

Foto: Lúcia Resende 

 

 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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