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ROMULO ANDRADE: CERRATENSES

Cerratenses – “por ser de lá do Sertão, lá do Cerrado…” 

Por Romulo Andrade 

 

Bicho cerratense é um ente barroco.

Curte o silêncio, em vastidões de céu

fases da lua, eclipses e crepúsculos.

 

Desconfia de muito progresso

de cidade grande e tecnologia.

 

Cultiva alguns canteiros

de flores e de amizade.

 

Ama os rios, os córregos

capão e nascentes –

Água cristalina

perfume de mato

árvores nativas

chapadas e arcaísmos.

poema pra Paulo Bertran :
agora eterno, agora sonho.

 

ANOTE AÍ:

bertran-31-www-nosrevista-com-br

Paulo Bertran Wirth Chaibub nasceu em Anápolis, Goiás, no dia 21 de outubro de 1948. Filho de Tufi Cecílio Chaibub e Maria Helena Wirth Chaibub. Pai de João Frederico, Maria Paula e André Gustavo Bertran. Morreu em 2 de outubro de 2005, em Goiânia, vítima de parada cardiorrespiratória, aos 56 anos de idade. O governador de Goiás, Marconi Perillo, fez um manifesto pela morte de Paulo Bertran.

Formação
Morou em Goiânia e depois no Distrito Federal, onde se formou em Economia pela Universidade de Brasília – UnB. Cursou pós-graduações em História e Planejamento pela Universidade de Strasbourg, na França.

Contribuições
Amante das terras do Cerrado, alcunhou o termo Homo Cerratensis, para quem vive neste rico bioma. Introduziu o conceito de Eco-História, contribuindo ativamente com a historiografia goiana e do planalto central. Era fazendeiro e especialista em construção de casas de barro. Também tocava piano e gostava de serestas.

Prêmios e homenagens
Cidadão Brasiliense, por outorga da Câmara Legislativa do Distrito Federal (Decreto Legislativo nº 554/2000). Recebeu diversos prêmios, como o de Brasileiro Imortal, concedido pela Siderúrgica Vale. Deu, também, seu nome a uma espécie nova de orquídea descoberta por essa siderúrgica em sua Reserva Natural Vale, em Linhares, Espírito Santo.

A Câmara Legislativa do DF decidiu nominar sua biblioteca, conforme Resolução 251/2011, homenageando esse grande homem como reconhecimento pela relevância de seu nome para a cultura do DF, do Centro-Oeste e do Brasil. No dia 25 de outubro de 2011, parlamentares e familiares descerraram a placa que oficializou o nome da Biblioteca da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Logo depois, houve um Sarau no foyer do plenário da CLDF.

Participação em organizações

Maria das Graças Fleury Curado, mulher do historiador com quem viveu seus últimos anos e criou o Memorial das Idades do Brasil em Brasília, 1998, na orla do Lago Paranoá em Brasília, preside o Instituto Bertran Fleury, OSCIP criada em 2003, na Cidade de Goiás.

Paulo também ocupou vários postos de trabalho, entre eles o de servidor da Câmara Legislativa do Distrito Federal, no Setor de Editoração, onde deixou sua marca como pesquisador incansável. Nesse período, criou a Revista DF Letras, um periódico cultural da Câmara Legislativa. Foi Diretor-geral do Instituto de Pesquisas e Estudos Geográficos do Brasil Central, da Sociedade Goiana de Cultura. Lecionou na Universidade de Brasília (UnB), na Universidade Federal de Goiás (UFG) e na Universidade Católica de Goiás, atual Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Também integrou a Academia Brasiliense de Letras, a Academia de Letras e Artes do Planalto e era sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e dos IHG’s do Distrito Federal e de São Paulo. Era membro da Academia Paulistana de História e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Arte e Cultura (Unesco), além de participar do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Títulos de obras

Paulo Bertran é autor de vários títulos que cuidam dos aspectos históricos de Goiás e do Planalto Central. São eles: Formação Econômica de Goiás (1979); Memória de Niquelândia (1985); Uma Introdução à História Econômica do Centro-Oeste do Brasil (1988) (Prêmio Literário do Instituto Nacional do Livro – INL  de 1989); História da Terra e do Homem no Planalto Central: eco-história do Distrito Federal. Do indígena ao colonizador (1994) (Prêmio Clio de História da Academia Paulistana de História de 1995); Notícia Geral da Capitania de Goiás (1997); História de Niquelândia, 2ª edição revista e ampliada (1998); Cerratenses: poesia (1998); Cidade de Goiás (2002). Seu último trabalho de pesquisa, a história de Palmeiras de Goiás, seria um presente ao centenário da cidade.

Sites sobre Paulo Bertran

1- http://www.paulobertran.com.br/

2- http://www.institutobertranfleury.org.br

3- http://www.paulobertran.com.br/index.php/obras/9-memorial-das-idades-do-brasil-em-brasilia-df-2002

4- http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Bertran

5- http://www.ccon.go.gov.br/homenageados_detalhes/Paulo+Bertran/7

6- https://pt-br.facebook.com/pages/Paulo-Bertran/228465273881170

romulo-azul

Texto e Ilustrações: Romulo Andrade – Artista Visual Biografia e Imagem de Paulo Bertran: www.cl.df.gov.br

ROMULO ANDRADE POR ROMULO ANDRADE  

“que preto, que índio, que branco o quê. Aqui somos
mestiços, mulatos, cafuzos, pardos, mamelucos
sararás, crilouros, guaraniseis e judárabes…
– Nada de errado com a nossa Etnia !”

neto de Antonio Andrade, português e dona Florinda, vó cabocla por parte de pai. De José Pinto, brasileiro e dona Carmen Retamero, vó espanhola andaluz, por parte de mãe.
Acho que vem dessa vó indígena e da outra andaluz
a minha forte conexão com os rios, florestas, as árvores e as águas – a natureza do Cerrado.
E cabelo comprido pra mim não é questão de moda ou beleza, é um sinal de identidade.
Quem já estudou a sua ancestralidade ? …
pintura de jenipapo, trilha Krahô, Jardim Botânico 2016
 
Publicado originalmente em  26 de março de 2022

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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