SEM ANISTIA, SEM DOSIMETRIA

SEM ANISTIA, SEM DOSIMETRIA

SEM ANISTIA, SEM DOSIMETRIA

Em um gesto soberano de defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito, ao final da Cerimônia em Defesa da Democracia, realizada em 8 de janeiro no Palácio do Planalto, o presidente Lula vetou integralmente o Projeto de Lei nº 2.162/2023, conhecido como o PL da Dosimetria

Por Rosilene Corrêa

O PL da Dosimetria, aprovado em dezembro de 2025 nos plenários da Câmara e do Senado Federal em 17 de dezembro, por 48 votos a favor e 25 contra, altera a forma de cálculo das penas para crimes contra a tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, para garantir a redução das penas de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. 

Pela nova regra, vetada pelo presidente Lula, mas que pode continuar valendo se o veto presidencial for derrubado pelo Congresso Nacional, quem for condenado por mais de um crime cumprirá apenas a pena de delito mais grave, e não a soma das condenações. 

O projeto também reduz o tempo mínimo de cumprimento de pena em regime fechado. Mesmo nos casos de uso de violência, o PL da Dosimetria prevê que a progressão de regime poderá ocorrer após o cumprimento de 16% da pena. Para reincidentes, o percentual cai de 30% para 20%. 

O principal beneficiado pelo PL da Dosimetria é o ex-presidente Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão, previsto, pela legislação vigente, a permanecer na prisão até, pelo menos, o ano de 2033. 

Caso o veto de Lula seja derrubado, o tempo em regime fechado para Bolsonaro pode cair para cerca de dois anos e quatro meses, o que reforçaria a sensação de impunidade e ignoraria os impactos do famigerado ataque à Democracia sobre a vida do povo brasileiro.

Em discurso, o presidente Lula afirmou: “A democracia não é uma conquista inabalável. Ela será sempre uma obra em construção, sujeita ao permanente assédio de velhos e novos candidatos a ditadores. Por isso, a democracia precisa ser zelada com carinho. E defendida com unhas e dentes, dia após dia.”

Antes de Lula, o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, o primeiro a discursou, reafirmou o caráter inconstitucional do PL da Dosimetria:

 “É necessário ressaltar que os crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito, como muitos daqueles praticados naquela época recente, do 8 de janeiro, conforme consta da Constituição e de decisão do Supremo Tribunal Federal, são imprescritíveis, impassíveis de indulto, graça ou anistia, sobretudo quando envolvem grupos civis e militares armados”, declarou Lewandowski.

Por outro lado, Lula reforçou a importância do engajamento popular em defesa da democracia: “É preciso conscientizar as pessoas de que a democracia é muito mais que uma palavra bonita nos dicionários. É mais que o dever e o direito de votar no dia da eleição e depois guardar o título de eleitor pelos próximos quatro anos,” e foi adiante:

“A democracia requer a participação efetiva da sociedade nas decisões de governo. Ela é também o direito de dizer não. A verdadeira democracia exige a construção de um país cada vez mais justo e menos desigual, com mais direitos e menos privilégios”.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e diversas outras entidades e movimentos da sociedade civil organizada realizaram atos por todo o Brasil, em defesa da Democracia, contra a Anistia para golpistas e pelo veto ao PL da Dosimetria. 

O grande desafio agora, segundo dirigentes dos movimentos populares, é a intensificação da mobilização social para que o veto do presidente Lula seja mantido, e o país continue sua luta em defesa da Democracia, sem Anistia e sem Dosimetria.

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Brasília (DF), 08/01/2026 – Manifestação durante a cerimônia relativa aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e assinatura do veto integral ao PL da Dosimetria,
em frente ao Palácio do Planalto. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

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p style=”text-align: justify;”>Rosilene CorreaRosilene Corrêa – Vice-Presidenta do CNTE, Conselheira da Revista Xapuri, com informações do Palácio do Planalto, da Revista Focus Brasil e da Central Única dos Trabalhadores. Capa: Ricardo Stuckert.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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