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Sindicato dos Bancários: Seis décadas de trabalho em defesa da categoria

Sindicato dos Bancários: Seis décadas de trabalho em defesa da categoria, da classe trabalhadora e da democracia

Ao se aproximar de suas seis décadas de trabalho, o Sindicato dos Bancários de Brasília consolida uma trajetória vitoriosa de lutas em defesa da Categoria, do Movimento Sindical, da Classe Trabalhadora e da própria democracia brasileira.

Em seus 58 anos de trabalho – o reconhecimento oficial veio, via Carta Sindical do Ministério do Trabalho, em 23 de novembro de 1961 – nosso Sindicato se orgulha de ter travado sempre a luta combativa e democrática em defesa dos direitos de seus/suas filiados/os, da livre manifestação e organização de toda a classe trabalhadora brasileira, e incondicional defesa de direitos do povo brasileiro.

Desde o começo, éramos cerca de 400, a maioria do Banco do Brasil, sob a firme liderança de Adelino Cassis, nosso primeiro presidente, falecido em julho de 2011, no mesmo dia do encerramento da 13ª Conferência Nacional dos Bancários, em São Paulo, nosso Sindicato seguiu os passos de sua predecessora, a Associação dos Bancários, que funcionava na 712 Sul.

Em 1962, o Sindicato já atendia a categoria no edifício Arnaldo Villares, no Setor Comercial Sul, onde hoje fica o Sindicato dos Urbanitários (STIU-DF). Hoje, com milhares de associados e associadas, resumimos aqui um pouco de nossas conquistas.

SOLIDARIEDADE DE CLASSES: Em 1963, o Sindicato já mobilizava e organizava uma das primeiras greves dos funcionários do Banco do Brasil. Com o Setor Bancário Sul ainda em construção, a entidade improvisava, sob estacas de madeiras, o planejamento da luta. No mesmo ano, o Sindicato também apoiou a greve dos barbeiros de Brasília, o que demonstra que desde aquela época a entidade já valorizava a solidariedade de classes, um dos princípios da CUT mantido até hoje com o apoio à luta de todos os trabalhadores. Da mesma forma que várias outras entidades de classe, grupos estudantis, partidos políticos, o Sindicato, seus militantes e filiados foram duramente reprimidos durante a ditadura militar (1964-1985). Entre 1964 e meados dos anos 1970, o Sindicato foi controlado por interventores nomeados pelos militares, que conduziam no dia a dia a política de atrelamento da entidade ao regime político em vigor. Mesmo durante o regime militar, o Sindicato apoiou, entre 1983 e 1984, o Diretas Já, movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil. Em 1985, os bancários fazem a primeira greve nacional pós-64, uma das maiores da história da categoria, e conquistam reposição de perdas salariais.

 

QUEM TRABALHA EM BANCO É BANCÁRIO/A: Com o apoio do Sindicato, em 1985, depois de uma paralisação nacional os empregados/as da Caixa que antes eram denominados economiários/as são reconhecidos como bancários/as e conquistam a jornada de 6 horas. Depois de sucessivas paralisações, bancários e bancárias obtém novas conquistas e se transformam na primeira categoria do país com data-base e unidade nacionais. Em 1986, forte aparato policial tentou, em vão, intimidar os bancários do Bradesco. Dois anos depois, grande repressão tentou impedir os bancários do BRB de cruzarem os braços. Com o apoio do Sindicato, os trabalhadores continuaram com o movimento.

NEOLIBERALISMO: Em 1992, o Sindicato foi uma das primeiras entidades a apoiar o processo de impugnação do mandato de Collor e usou de toda a sua capacidade de mobilização na campanha pelo impeachment de Collor de Mello que, além das denúncias de corrupção, aprofundou a recessão econômica, corroborada pela extinção, em 1990, de mais de 920 mil postos de trabalho e uma inflação na casa dos 1.200% ao ano. Acuado, Collor não esperou pelo Impeachment e renunciou em 29 de dezembro de 1992, tornando-se inelegível por 8 anos. Em 1999, durante campanha em defesa dos bancos públicos, o Sindicato voltou às ruas para realizar atos contra o governo. Graças a uma intensa campanha, que contou com o grande apoio dos e das bancários/as e de outras categorias, o Banco do Brasil e a Caixa continuam públicos, embora siga a ameaça de privação.

DEFESA DO BRB PÚBLICO: Em 2007 e 2008, o Sindicato encabeçou a bem-sucedida campanha contra a privatização do BRB. Intitulada ‘o BRB é nosso, é do DF, privatização não’, a iniciativa mobilizou bancários, parlamentares e a sociedade civil em defesa do BRB. A forte atuação do Sindicato e o empenho da categoria impediu que o banco fosse vendido. A luta em defesa do banco regional público segue nos dias atuais, com campanhas conjuntas com os trabalhadores de outras empresas públicas do DF. As investidas privatistas de governos passageiros são enfrentadas, até os dias de hoje, com o protagonismo dos bancários.

JORNADA LEGAL: O Sindicato se mobilizou e foi pra linha de frente na luta contra a retirada de direitos e por melhores condições de trabalho e condições de vida, sobretudo na batalha travada contra os banqueiros pela jornada de 6 horas, para a Categoria e para toda a classe trabalhadora. O Sindicato foi pioneiro nas ações judiciais coletivas de 7ª e 8ª horas para garantir que bancários e bancárias tenham seus direitos trabalhistas respeitados.

RESISTÊNCIA À RETIRADA DE DIREITOS: O Sindicato foi às ruas dialogar com a população e informar a sociedade, e ao Congresso Nacional para protestar contra os efeitos nefastos do Projeto de Lei – PL 4330, do governo golpista de Michel Temer, que institui a terceirização irrestrita, acaba com empregos, reduz salários e só beneficia o empresariado. Em defesa da Assistência a Saúde dos Bancários o Sindicato se posicionou contra a Resolução 23 da CGPAR, também de Temer, que investiu sobre os planos de saúde de autogestão das empresas públicas. Neste sentido, intensificou a mobilização da categoria, realizou diversos atos e atuou junto à Justiça e ao Parlamento e por esta luta assegurou em conjunto com outras entidades a Suspensão da aplicação da CGPAR 23, ainda,  a partir do Protocolo – feito pela deputada Érika Kokay (PT/DF) – do Projeto de Decreto Legislativo de Sustação de Atos Normativos do Poder Executivo propõe sustar os efeitos da Resolução nº 23.

MP 905 – EFEITOS SUSPENSOS: A partir da pressão dos Sindicatos, o Comando Nacional dos Bancários garantiu em mesa até a assinatura de um termo aditivo à Convenção Nacional dos Bancários (CCT) a não aplicação dos efeitos para bancários/as da MPV 905/2019, mantendo assim a jornada legal de trabalho de 30 horas, de segunda a sexta-feira.

 

PRESIDENTES

Entre 1960 a 2019, o Sindicato dos Bancários contou com 26 gestões, envolvendo 742 dirigentes, que representaram e representam a categoria de Brasília. Nosso presidente atual é Kleytton Guimarães Morais, e antes dele vieram: Eduardo Araújo de Souza, Rodrigo Lopes Britto, Jacy Afonso de Melo, José Wilson da Silva, Jacques de Oliveira Pena, José Alves da Silva, Erika Jucá Kokay, Paulo Borges,José Sampaio de Lacerda Júnior, Augusto Silveira de Carvalho, Benedicto José Rodrigues, Alvimar Figueira da Fonseca, e Adelino Cassis, nosso primeiro presidente.

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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