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Sobre Lula e a hipocrisia do reino: “Vão catar coquinho!”

Sobre Lula e a hipocrisia do reino: “Vão catar coquinho!”

Por Eduardo Guimarães

Em 1837, o escritor e poeta dinamarquês Hans Christian Andersen escreveu conto de fadas intitulado A Roupa Nova do Rei. No conto, um rei recebe dos tecelões reais um traje que seria invisível a todos menos aos inteligentes.

A mente prodigiosa de Andersen criou uma metáfora que vem sendo usada por quase duzentos anos toda vez que é preciso aludir à mediocridade humana.

Um bandido, fugindo de outro reino, decidiu se esconder e fingir ser alfaiate nas novas terras. Carismático como todo vigarista, o “novo alfaiate” conquistou a todos e até conseguiu uma audiência com o Rei.

“Nas terras distantes de onde vim, inventei uma forma de tecer a melhor de todas as roupas!”, disse o farsante alfaiate. E continuou “Consigo tecer uma roupa que somente os inteligentes conseguem ver!” .

O rei, vaidoso, gostou da proposta e pediu que fizesse uma roupa dessas para si.

O bandido recebeu vários baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros e exóticos, exigidos por ele para a confecção das roupas. Guardou todos os tesouros e ficou em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis.

Um bandido, fugindo de outro reino, decidiu se esconder e fingir ser um alfaiate nas novas terras. Muito malandro, o bandido, o “novo alfaiate” conquistou a todos e até conseguiu uma audiência com o Rei.

“Nas terras distantes de onde vim, inventei uma forma de tecer a melhor de todas as roupas!” disse o farsante alfaiate. E continuou “Consigo tecer uma roupa que somente os inteligentes conseguem ver!” .

O rei, muito vaidoso, gostou da proposta e pediu ao bandido que fizesse uma roupa dessas para ele.

O bandido recebeu vários baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros e exóticos, exigidos por ele para a confecção das roupas. Ele guardou todos os tesouros e ficou em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis.

O tempo foi passando e o vigarista desfrutando do produto do golpe, até que o Rei exigiu o término do traje. Quando o falso tecelão mostrou a mesa de trabalho vazia, o rei exclamou:

“Que lindas vestes! Fizeste um trabalho magnífico!”, embora não visse nada além de uma simples mesa, pois dizer que nada via seria admitir que não tinha a capacidade necessária para ser rei.

Os nobres ao redor soltaram falsos suspiros de admiração pelo trabalho do bandido, nenhum deles querendo que achassem que era incompetente ou incapaz. O rei, então, decidiu desfilar para os súditos com seu traje novo.

Durante o evento, os súditos se desmanchavam em elogios àquilo que ninguém conseguia enxergar de verdade, mas que todos diziam ver claramente para não se tornarem párias em um contexto com o qual todos concordavam.

Contudo, uma criança, inocente e sincera, gritou a verdade em meio à horda de hipócritas:

— O rei está nu! O rei está nu!

Esse conto se transformou em metáfora usada em toda parte através de gerações simbolizando aquilo que esta à vista de todos, mas que ninguém reconhece ver por hipocrisia ou interesses escusos.

Pois a inocência de Lula é como a nudez do rei.

Tomemos o caso do triplex do Guarujá, porque é em razão de um imóvel no qual Lula nunca passou uma noite que ele está preso. Desafio qualquer um a dizer qual é a prova de que o apartamento foi dado a Lula como propina.

Um imóvel que não está em seu nome, do qual ele nunca usufruiu e que foi dado pela construtora como garantia em um empréstimo… Ora, corruptor que não dá a propina ao corrompido e ainda usa essa propina em benefício próprio?

Ah, vão catar coquinho!

 
rei

Por Eduardo Guimarães

Em 1837, o escritor e poeta dinamarquês Hans Christian Andersen escreveu conto de fadas intitulado A Roupa Nova do Rei. No conto, um rei recebe dos tecelões reais um traje que seria invisível a todos menos aos inteligentes.

A mente prodigiosa de Andersen criou uma metáfora que vem sendo usada por quase duzentos anos toda vez que é preciso aludir à mediocridade humana.

Um bandido, fugindo de outro reino, decidiu se esconder e fingir ser alfaiate nas novas terras. Carismático como todo vigarista, o “novo alfaiate” conquistou a todos e até conseguiu uma audiência com o Rei.

“Nas terras distantes de onde vim, inventei uma forma de tecer a melhor de todas as roupas!”, disse o farsante alfaiate. E continuou “Consigo tecer uma roupa que somente os inteligentes conseguem ver!” .

O rei, vaidoso, gostou da proposta e pediu que fizesse uma roupa dessas para si.

O bandido recebeu vários baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros e exóticos, exigidos por ele para a confecção das roupas. Guardou todos os tesouros e ficou em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis.

Um bandido, fugindo de outro reino, decidiu se esconder e fingir ser um alfaiate nas novas terras. Muito malandro, o bandido, o “novo alfaiate” conquistou a todos e até conseguiu uma audiência com o Rei.

“Nas terras distantes de onde vim, inventei uma forma de tecer a melhor de todas as roupas!” disse o farsante alfaiate. E continuou “Consigo tecer uma roupa que somente os inteligentes conseguem ver!” .

O rei, muito vaidoso, gostou da proposta e pediu ao bandido que fizesse uma roupa dessas para ele.

O bandido recebeu vários baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros e exóticos, exigidos por ele para a confecção das roupas. Ele guardou todos os tesouros e ficou em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis.

O tempo foi passando e o vigarista desfrutando do produto do golpe, até que o Rei exigiu o término do traje. Quando o falso tecelão mostrou a mesa de trabalho vazia, o rei exclamou:

“Que lindas vestes! Fizeste um trabalho magnífico!”, embora não visse nada além de uma simples mesa, pois dizer que nada via seria admitir que não tinha a capacidade necessária para ser rei.

Os nobres ao redor soltaram falsos suspiros de admiração pelo trabalho do bandido, nenhum deles querendo que achassem que era incompetente ou incapaz. O rei, então, decidiu desfilar para os súditos com seu traje novo.

Durante o evento, os súditos se desmanchavam em elogios àquilo que ninguém conseguia enxergar de verdade, mas que todos diziam ver claramente para não se tornarem párias em um contexto com o qual todos concordavam.

Contudo, uma criança, inocente e sincera, gritou a verdade em meio à horda de hipócritas:

— O rei está nu! O rei está nu!

Esse conto se transformou em metáfora usada em toda parte através de gerações simbolizando aquilo que esta à vista de todos, mas que ninguém reconhece ver por hipocrisia ou interesses escusos.

Pois a inocência de Lula é como a nudez do rei.

Tomemos o caso do triplex do Guarujá, porque é em razão de um imóvel no qual Lula nunca passou uma noite que ele está preso. Desafio qualquer um a dizer qual é a prova de que o apartamento foi dado a Lula como propina.

Um imóvel que não está em seu nome, do qual ele nunca usufruiu e que foi dado pela construtora como garantia em um empréstimo… Ora, corruptor que não dá a propina ao corrompido e ainda usa essa propina em benefício próprio?

Ah, vão catar coquinho!

Aliás, segundo os acusadores de Lula, ele tinha um plano de saquear o Brasil e, então, passou a deixar que o MPF escolhesse procurador-geral da República, o único que poderia investigá-lo como presidente, e investiu e deu liberdade total à Polícia Federal para investigar seu partido, seu governo etc…

Tudo ao contrário do que fizeram Collor, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e Bolsonaro, que não deram liberdade alguma aos órgãos de controle.

Agora, Lula esfrega sua inocência e sua dignidade nas fuças de seus detratores e algozes, negando-se a deixar o cárcere para não coonestar o processo farsesco que o vitimou. Constrangidos pelo ato digno, os carrascos querem se livrar do prisioneiro que não conseguem desmoralizar – pesquisas apontam Lula como o melhor presidente da história do Brasil, segundo a maioria dos brasileiros.

A roupa fake do rei são os processos fajutos contra o ex-presidente, e a nudez do rei a inocência latente, gritante, luminescente que os súditos da hipocrisia se recusam terminantemente a enxergar, dopados pela covardia e/ou pela desonestidade.

 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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