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Terra Ronca-Goiás: Cavernas secas e molhadas, todas espetaculares

Terra Ronca-Goiás: Cavernas secas e molhadas, todas espetaculares

Quem sai de Brasília em direção norte, cerca de 400 quilômetros depois, encontra um mundo arrebatador. O Parque Estadual de Terra Ronca, com 57 mil hectares, foi criado pela lei 10.879, de 7 de julho de 1989, e situa-se nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, no nordeste goiano, divisa com a Bahia. Terra Ronca revela as entranhas da Terra despencada, revirada e reacomodada, num conjunto de cavernas secas e molhadas de beleza estonteante.

Com uma vegetação que inclui cerrado, cerradão, matas de galeria e veredas, a área serve de abrigo a uma vasta fauna. São mais de 150 espécies de aves e quase 50 de mamíferos na região, pra não citar outras.

Em meio à paisagem, encravada no Cerrado e emoldurada pela Serra Geral de Goiás, salta aos olhos a enorme boca do complexo universo esculpido há milhões de anos, desde que a região era banhada pelo mar, no período Pré-Cambriano superior.

O vão de entrada de Terra Ronca, com mais de 90 metros de altura e 120 de largura, é um convite irresistível para os amantes da ousadia da mãe Natureza. Mistério e surpresa estão garantidos nas grutas, nos enormes salões, nas passagens estreitas, nos túneis, nas formações calcárias – gigantescas colunas de estalactites, estalagmites (formadas por gotinhas impregnadas por calcário que pingam por milhares e milhares de anos). A escuridão rompida poucas vezes e os rios que serpenteiam, roncando por caminhos inusitados, formam lagos subterrâneos e despencam em cachoeiras completam o cenário da verdadeira viagem por dentro da Terra.

As cavernas de Terra Ronca, um dos maiores complexos espeleológicos do Brasil e do mundo, representam uma das mais espetaculares atrações subterrâneas do Hemisfério Sul, ainda praticamente desconhecida.

De suas cavernas, sete figuram na lista das trinta maiores do Brasil. A maior delas, Angélica, tem 14.100 metros de extensão, é a 4ª maior do país. Do conjunto, pouquíssimas foram exploradas, entre as quais Angélica, Terra Ronca I e II, São Vicente, São Bernardo, Lapa do Bezerra e São Mateus.

Como chegar

De Brasília, seguindo pela BR-020, o caminho é por Formosa, Alvorada do Norte e Posse. Em Posse, deixa-se a BR-020 em direção a Guarani de Goiás. O Parque de Terra Ronca fica a aproximadamente 40 km de Guarani de Goiás.

ANOTE AÍ:

+ INFO: www.semarh.goias.gov.br

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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