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Tragédia ambiental: Plástico descartável inunda nossos Oceanos

Tragédia ambiental: Plástico descartável inunda nossos Oceanos

Recentemente, ama ilha pequenina e não habitada, conhecida como Henderson Island, ganhou espaço no noticiário internacional.

O motivo? Cientistas descobriram que essa ilha solitária, localizada  no meio do vasto Oceano Pacífico Sul é lar para 38 milhões de pedaços de lixo, a maioria deles de plástico. Também estimam que esse volume está aumentando a 13.000 itens por dia.

A razão para  essa pequena massa de terra se tornar um aterro acidental? Ela se encontra num vértice de correntes marítimas que movimenta o lixo oceânico, trazido, principalmente, por navios de carga passando pelo Pacífico.

Uma das pesquisadoras que fizeram a descoberta, Jennifer Lavers, da Universidade de Tasmânia, na Austrália, afirmou “Precisamos repensar radicalmente nosso relacionamento com o plástico. É algo feito para durar para sempre, mas utilizado apenas por momentos e depois descartado”.

Quão severa é a situação global em relação ao plástico descartável? Veja alguns fatos perturbadores pesquisados pela organização EcoWatch:

  • Nos últimos dez anos o mundo produziu mais plástico do que em todo o século 20.
  • Moradores dos Estados Unidos descartam 35 bilhões de garrafas de água todos os anos.
  • Nossos oceanos contém uma média de 29.000 pedaços de plástico para cada quilômetro.
  • A Grande Mancha de Lixo do Oceano Pacífico, perto da costa da Califórnia, é a maior concentração de lixo oceânico no mundo. Trata-se de um grande massa flutuante composta por plástico e outros dejetos que é duas vezes o tamanho do estado de Texas.
  • Um artigo de plástico leva 500 a 1.000 anos para  se decompor. Assim, praticamente todo pedaço de plástico já feito ainda existe. (Todos menos aqueles que forem incinerados, outra ameaça ambiental.

Um problema de difícil solução

Um grande  problema com o plástico é que grande parte daquilo que é descartado vem junto com dejetos úmidos. Este foi o foco da entrevista da Earth.com com Doug Woodring, fundador da organização Plasticity Forum, centro de pesquisa e debate de proteção ambiental que concentra seus esforços em soluções para o descarte do plástico.

“O processo de triagem e reciclagem que nos temos não é  adequado para esse tipo de produto” disse Woodring. Para o cientista, para fazer uma reciclagem eficiente do plástico seria necessário “desconstruir omeletes”, porque, ao contrário dos dejetos  recicláveis relativamente limpos como metal, vidro e papel, o plástico descartável encontra-se em grande parte junto com pedaços de comida em decomposição ou restos de bebidas açucaradas.

Primeiro,  seria necessário separar o plástico do dejeto orgânico e depois lavar o lixo para retirar toda oleosidade e podridão dele. Não há cust0-benefício neste processo, nem para as pessoas que desejam reciclar para algum retorno financeiro. “No mundo em desenvolvimento há mais interesse por reciclagem visando lucro, mas a tecnologia é insuficiente”, disse Woodring.

“Não há nenhuma solução fácil” segundo Woodring. “Eu acredito que o plástico descartável é uma das questões mais complexas ameaçando o meio-ambiente hoje. Não iremos eliminar o plástico descartável, porém podemos procurar maneiras melhores para abordar o problema.”

O Fórum de Plástico, The Plasticity Forum, reúne pessoas ecologicamente conscientes de diversos áreas como pessoas da área empresarial, scientistas, especialistas em design de embalagens, recicladores e empreendedores que estão trabalhando em descobrir soluções. Enquanto não há uma solução única que irá resolver todos os problemas do mundo relacionados ao plástico descartável, Woodring acredita que estamos chegando mais perto em diversos pontos.

“Em  Taiwan, há impostos sobre o plástico e o plástico reciclável tem alto retorno” disse Woodring sobre soluções possíveis.

Latas e garrafas de alumínio em algumas partes do mundo são raramente destinados a aterros, simplesmente pelo fato de haver um benefício com seu retorno. E se você não reciclar seu lixo, outra pessoa fará isso se houver suficiente incentivo monetário.

Inovadores eco-conscientes estão trabalhando continuamente para desenvolver embalagens alternativas livres de plástico que possam ser “comestíveis, solúveis ou feitos por algas. Também há esforços para promover a liquefação de plásticos em locais como hospitais, evitando a necessidade de transportar materiais contaminadoras.

Essa matéria pode ser encontrada na versão original em inglês aqui. (Earth.com).

 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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