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Websérie mostra trabalho de recuperação de manguezais no Paraná

Websérie mostra trabalho de recuperação de manguezais no Paraná

“Olha o Clima, Litoral!”, que estreou na quarta, retratará em 6 episódios as ações socioambientais realizadas pela ONG Mater Natura na região da Baía de Antonina.

Por Gabriel Tussini/ O Eco

Estreou na quarta da semana passada (28) a websérie “Olha o Clima, Litoral!”, que mostra de perto ações de recuperação ambiental no litoral do Paraná. A série será exibida em 6 episódios, lançados até o final do ano que vem, e é produzida pela ONG Mater Natura, que executa um projeto de mesmo nome da série em parceria com o Instituto de Biociências, Campus do Litoral Paulista (IB-CLP) da Universidade Estadual Paulista (UNESP), e apoiado pelo programa Petrobras Socioambiental. O trailer e o primeiro episódio podem ser acompanhados pela playlist no YouTube e pelas redes sociais do projeto.

A iniciativa retratada pela série tem o seu principal foco na conservação dos manguezais paranaenses, que por lá ocorrem nos estuários, regiões protegidas do mar aberto onde a água salgada do oceano se encontra com a água doce dos rios. O litoral do Paraná é o segundo menor do país, com cerca de 100 km – maior apenas que o do Piauí –, mas conta com uma grande abrigada nos manguezais e brejos salinos, ameaçados pela invasão de espécies exóticas, pelas e pelo aumento do nível do mar.

“Esses ecossistemas são muito ricos em biodiversidade e importantíssimos para nós, por serem berçários da vida marinha, protetores das áreas costeiras, grandes atenuadores de efeitos da mudança climática e fornecedores de alimento para diversas espécies, incluindo o ser humano”, explica o biólogo e coordenador do projeto Olha o Clima, Litoral!, Marcos Bornschein.

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Baía de Antonina, Paraná. Foto: Gabriel Marchi.

O primeiro dos seis episódios mostra o combate às braquiárias-d'água, tipo de capim exótico, nativo do continente africano, trazido para servir de pasto na criação de bois e búfalos. Diferentes espécies de braquiárias se tornaram um problema sério em diversas partes do , e as braquiárias d'água colonizam parte importante do litoral paranaense – 75 hectares do estuário da Baía de Antonina, próxima à cidade portuária de Paranaguá, contaminados biologicamente pela espécie invasora.

“As braquiárias sufocam as de brejos e manguezais, diminuindo a riqueza de espécies e provocando a perda de ambientes para muitos animais”, explica a pesquisadora responsável pelas ações de restauração e monitoramento do projeto, Larissa Teixeira. A invasão de espécies exóticas é considerada a segunda maior causa de extinção de espécies no mundo, atrás apenas da perda de ambientes causada pela exploração humana direta. “Realizamos o manejo das braquiárias-d'água com o rastoreio raso mecânico, que é o corte das plantas com roçadeira o mais próximo possível das raízes. A biomassa roçada é empilhada em montes, que são revirados algumas vezes até que as braquiárias deixem de brotar”, completa.

Até o final de 2024, a meta do projeto “Olha o Clima, Litoral!” é restaurar 6 hectares de manguezais e brejos salinos da Baía de Antonina. Além disso, estão previstas ainda a realização de uma modelagem climática para mapear possíveis alterações na distribuição dos manguezais com base em mudanças do nível do mar, e ações socioambientais com pescadores e comunidades da baía, onde serão discutidas estratégias de conservação, os impactos das mudanças climáticas e a manutenção da qualidade de vida. Estudantes e professores da rede pública local também serão incluídos nas ações, segundo a Mater Natura.

Gabriel Tussini – Estudante de Jornalismo. Fonte: O Eco. Foto: Gabriel Marchi.  Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade do

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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