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Zeca Dirceu: com a democracia não se brinca

Zeca Dirceu: com a democracia não se brinca – “A fala do Ministro da Economia sobre um novo AI-5 é inaceitável e reflete a obscuridade do governo Bolsonaro, que tem por comum naturalizar atrocidades”

‘Com a democracia não se brinca’. Essa frase parece simples, porém carrega trágicas histórias, que permanecem vivas na mente daqueles que foram torturados, presos, mortos, ameaçados, que perderam familiares, e que convivem com esse assombroso passado.

A fala do Ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre um novo AI-5é inaceitável e reflete a obscuridade do governo Bolsonaro, que tem por comum naturalizar atrocidades. O principal ministro do governo defende uma medida ditatorial usada para reprimir manifestações legitimas contra as nefastas medidas que ele promove. Por isso, entrei com pedido na Câmara dos Deputados para criação imediata da Frente Parlamentar Democrática Contra o AI-5, com o objetivo de unir esquerda e direita contra estas ameaças autoritárias e antidemocráticas de Bolsonaro, seus filhos, e todos que são ligados a esse trágico governo.

Quem deveria trabalhar por uma postura de estabilidade, traz instabilidade e só afasta os investidores do país. Eles incendeiam o país e colocam em nós, a culpa. O mercado financeiro já reagiu mal à fala do ministro e o dólar chegou a marcar R$ 4,27. Até o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se manifestou, e disse que não “dá mais para se usar a palavra AI-5 como se fosse ‘bom dia, boa tarde, oi, cara’”. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, também se manifestou contra as recentes ameaças e afirmou que Jair Bolsonaro “sujeita-se a processo de impeachment caso venha a atentar contra o exercício dos direitos políticos, individuais ou sociais”.

O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, foi cirúrgico ao afirmar que o AI-5 é “incompatível com a democracia” e que “não se constrói o futuro com experiências fracassadas do passado”.

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi o primeiro a abrir a porta da loucura, quando em entrevista à jornalista Leda Nagle, afirmou que “se a esquerda brasileira radicalizar, uma resposta pode ser via um novo AI-5”. Esta semana, o Conselho de Ética da Câmara abriu processos contra o deputado, depois que partidos da oposição (PT, PSOL, PCdoB) entraram com pedido de cassação do parlamentar por entender que sua fala configura abuso de prerrogativas concedidas a parlamentares. Governantes não podem dizer absurdos como esse e permanecerem sem punição alguma.

Guedes além de ser irresponsável em mencionar a volta do AI-5, zomba de jornalistas e questiona motivos pelos quais o povo poderia ir às ruas. Podemos ajudar: redução de salários; retrocessos na educação; desmonte do programa Mais Médicos, deixando milhões de pessoas sem atendimento até hoje; corte nas aposentadorias; 12 milhões de desempregados e cada vez menos direitos trabalhistas e mais emprego informal; aumento dos brasileiros em situação de miséria; aumento da fome, com Brasil voltando ao Mapa da Fome – o qual havia saído 12 anos atrás no governo do presidente Lula; imposto para desempregado; e muitas outras medidas que só um governo ultraliberal e neofascista pode ter.

Proibir o povo de ir às ruas reivindicar e lutar pelo que acreditam e precisam, nunca fez parte de um governo democrático em lugar nenhum do mundo. Exaltar torturadores, ameaçar fechar o STF, apoiar o golpe e a ditadura de 1964, que além de torturar e matar centenas de milhares de brasileiros e desaparecer com mais centenas, afundou a economia do país, nunca fez e nunca fará parte de um governo sério e que respeita a democracia, em qualquer instância.

Embora Guedes tenha como chefe um fã do ditador corrupto Augusto Pinochet, ele precisa se lembrar de que não estamos mais em 1964 e nem no Chile de 1973, e falar do AI-5 como se fosse uma parte normal da história política do Brasil é um completo desrespeito. E aqui repito, com a democracia não se brinca. Sugiro a leitura do livro “Brasil Nunca Mais”, coordenador pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, para entender essa mania insana da extrema-direita fascista de mencionar o AI-5 em tudo.

Paulo Guedes, assim como Bolsonaro, e toda sua cúpula da maldade, tem ciência de que este pacote econômico é tão cruel e antidemocrático que é impossível não haver luta nas ruas. Eles têm medo do povo, medo da coragem e medo do poder que o povo unido tem. Povo nas ruas já!

Zeca Dirceu é deputado federal (PT-PR)

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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