ADRIANA ACCORSI: UMA MULHER DE LUTA

ADRIANA ACCORSI: UMA MULHER DE LUTA

ADRIANA ACCORSI: UMA MULHER DE LUTA

Adriana Accorsi é uma dessas bravas e brilhantes mulheres que ousam quebrar paradigmas colorindo de lilás o mundo machista da política.

Por Zezé Weiss

Advogada, delegada de polícia, duas vezes deputada estadual (2015–2023) e, em 2022, eleita a sexta Deputada Federal mais votada no estado de Goiás (2023–2027), a petista disputa a Prefeitura de Goiânia, nas eleições de 6 de outubro, com chances de vitória, segundo as pesquisas eleitorais.

Candidata a prefeita pela Coligação Pra Cuidar de Goiânia (PT, PCdoB, PV, Rede, PSol, PSB e PMB), tendo como parceiro de chapa o ex-reitor do Instituto Federal de Goiás, Jerônimo Rodrigues, conhecido como Professor Jerônimo (PSB), Adriana propõe-se, segundo ela própria, a levar para a Prefeitura, se eleita, “o jeito petista de governar, voltado para o gentil cuidado com a cidade e a atenção amorosa com as pessoas”.

Defensora intransigente da justiça e da inclusão social, Adriana traz de berço inalienáveis compromissos com a transformação da sociedade e com a democracia. Filha do ex-prefeito de Goiânia, Darci Accorsi, a Deputada Federal conta que foi do pai, fundador do PT,  uma das frases que a motivaram a entrar para a política: “Em nosso país, poucos têm muito e muitos têm muito pouco, não dá pra não fazer nada”.

Militância 

Adriana iniciou sua militância no movimento estudantil, graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG), tornou-se especialista em Segurança Pública e Ciências Criminais, e foi a primeira mulher Delegada Geral da Polícia Civil do estado de Goiás, com grande atuação em defesa das mulheres, crianças e por uma polícia mais humana.

Como Delegada Titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depai), onde permaneceu por mais de oito anos (2003–2011), liderou centenas de investigações, sobretudo em casos de pedofilia, homicídios e exploração sexual de crianças e jovens.

Antes de embarcar na carreira parlamentar, em 2013 foi Secretária Municipal de Defesa Social de Goiânia, convidada pelo prefeito Paulo Garcia, do Partido dos Trabalhadores, experiência que a preparou para defender o estímulo à participação popular em seu provável mandato como prefeita, a partir de janeiro de 2025.

Lilás 

Vestida de lilás, a cor da mulher, por ela adotada para esta campanha de 2024, Adriana diz que, com tanta dificuldade para a participação das mulheres na política, é importante associar a cor lilás com seu com seu compromisso “na luta por direitos e contra a violência”.

Com relação ao seu plano de Governo, Adriana resume em uma frase: “Goiânia merece educação, beleza, organização, saúde e segurança”.  Adriana propõe investimentos para garantir o desenvolvimento da primeira infância. E, para o combate à criminalidade e à violência urbana, recorre à expertise como delegada, a fim de defender uma parceria entre a Polícia Militar e a Polícia Civil de Goiás.

Goiana de Itapuranga, nascida em 17 de março de 1973, militante filiada ao PT desde 1990, Adriana Sauthier Accorsi é mãe de duas meninas, Verônica e Helena, e comparte sua vida com o filósofo e assessor parlamentar Fabio Fazzion.

Como candidata a prefeita, Accorsi traz para a campanha a experiência profissional na vida pública, a habilidade na atuação como parlamentar, a herança política do pai e o exemplo de militância da mãe, Lucide Sauthier, também fundadora do Partido dos Trabalhadores e hoje dirigente do PT no município de Bela Vista de Goiás.

zezeZezé  Weiss – Jornalista. Editora da Revista Xapuri.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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