A PASSAGEM DA COLUNA PRESTES POR FORMOSA
De acordo com relatos, a Coluna Prestes apareceu no município de Formosa no final do ano de 1926. Os moradores, temerosos, não efetuaram nenhum tipo de ação contrária aos revoltosos.
Por Jucelina de Moura Lôbo Bernardes e Marco Aurélio Bernardes
Muito pelo contrário, aqueles que tiveram contato com o tenente Carlos Prestes, comentaram que o homem era um verdadeiro cavalheiro, de fala calma e gestos suaves. A Coluna dos Revoltosos esteve acampada por dez dias no município, e uma coisa que Prestes sempre fazia questão de frisar é que não queria confusão.
Na zona rural de Formosa e nos municípios vizinhos, o povo ficou apavorado por causa dos revoltosos. O comentário era que roubavam cavalos, matavam gado e acabavam como os galinheiros.
Muitos moradores abandonavam suas casas e fugiam para o mato. Procuravam lugares perto das serras, difíceis de serem encontrados. Levam com eles os cachorros, cavalos, galo e galinhas.
Conforme relatos, chegando ao paradeiro, piavam as galinhas. Sabendo que o galo só canta olhando pra cima, amarravam o pescoço do galo com a ponta de uma corda e com a outra ponta, amarravam os pés para evitar que o galo cantasse e os revoltosos descobrissem o local.
Nas bocas dos cachorros, colocaram boqueiras, feitas de couro, para não latirem. Somente tiravam as boqueiras para que os animais pudessem comer e beber água, em seguida, colocavam as boqueiras de volta.
Não podiam fazer fogueira de dia. Tinham medo que pudessem ver a fumaça. Faziam comida somente à noite, quando constatavam que não havia movimento. À noite, a fumaça se espalhava rapidamente, porque ventava mais e não era tão visível.
Após a retirada da Coluna do município, os formosenses ainda continuaram receosos do comunismo. Do Cavaleiro da Esperança, ficou a lembrança de um homem corajoso e muito inteligente, digno de admiração.
“O galo, amarrado com a cabeça pra baixo, pra não cantar, o cachorro com boqueira, pra não latir, e o fogo, só à noite, pra fumaça não ser vista de longe pelos revoltosos”. – Domingos José Valente
A PERSEGUIÇÃO À COLUNA PRESTES EM FORMOSA
Em 1926, um grupo de soldados chegou à cidade e acampou no campo de aviação. Esses homens passaram dias planejando surpreender os revoltosos, assim que chegassem ao município.
Uma boa parte deles, era apenas voluntários que desejavam se transformar em heróis com a captura dos tenentes rebeldes. A propaganda do governo era carregada de patriotismo, onde convocava homens valentes para dar fim ao perigo que era a Coluna Prestes.
A presença de perseguidores fez alarmar ainda mais os moradores, devido aos boatos disseminados por eles, boatos que transformavam os revoltosos em frios assassinos e exímios ladrões.
A fim de facilitar a comunicação com a cidade de São Paulo, construíram o primeiro telégrafo na cidade. Cansados de esperar pelos subversivos, alguns meses depois levantaram acampamento e voltaram para São Paulo.
Conforme relatos, após a partida dos perseguidores, os revoltosos estiveram no município. Um dos seus membros ficou aqui na cidade, Moysés Perotto, tenente gaúcho que se transformou no primeiro prefeito de Formosa, após o golpe de Getúlio Vargas [em 1930].
“Perotto somente conseguiu ser prefeito porque houve grande transformação, e a renovação em Goiás foi muito grande após a Revolução de 1930. Por exemplo, foi um médico que assumiu Goiás, Pedro Ludovico, que estava até preso. Pedro Ludovico conseguiu o poder no estado goiano devido sua ligação com os centros revolucionários de Minas Gerais que apoiavam Getúlio Vargas. E aqui ele ficou como interventor estadual por quinze anos.” – Sebastião Viana Lobo.

Jucelina de Moura Lôbo – Historiadora, em Formosa em Retinas Idosas, Editora Alpha, 2006.
Marco Aurélio Bernardes – Historiador, em Formosa em Retinas Idosas”, Editora Alpha, 2006.