O JULGAMENTO DA HISTÓRIA

O JULGAMENTO DA HISTÓRIA

O julgamento da história

“Não se ‘cocupe’…eu vou lutar, papai vai lutar mamãe e o Lula pá você voltar”

31 de agosto de 2016. Valentina, 4 anos

Começa o julgamento do homem que homenageou o torturador Brilhante Ustra, por torturar Dilma

Por Osni Calixto

E Dilma Rousseff voltou Presidenta! Para presidir o BRICS, um dos maiores e mais importantes bancos do mundo. Do Brasil-Rússia-Índia-China-África do Sul, o grupo de países que constroem o multilateralismo no mundo. A fala profética da pequena Valentina se confirmou. Dilma voltou.

A história continuou… Filha do jornalista Osni Calixto e Maria Félix, a pequena Valentina seguiu do lado do Povo brasileiro, na luta e na resistência; No Comitê de Luta Contra o Golpe, no Comitê Lula Livre, nos movimentos populares…sempre!

Hoje, aos 13 anos, Valentina assiste ao julgamento da história. O deputado que homenageou o torturador de Dilma, que comemorou a morte de Dona Marisa Letícia e do netinho de Lula vai a julgamento, por tentativa de golpe de estado, por traição contra o país… Ela continua, do lado do Povo. Na luta. Na Resistência.

Nestes anos todos, a saga da militância. Foram cinco viagens a Curitiba, com a Irmã Isadora Calixto, os primos Tarcísio e Tárcio, o pai e a mãe.

E a história de provação – e de perseguição contra Dilma, Lula e o PT foi cruel. Desde a prisão de Lula, em abril de 2018, nas Caravanas Lula Livre. Esteve nos principais momentos: No aniversário, no Natal e no Réveillon com Lula. Braço esquerdo erguido, punho cerrado acompanhava o pai e a militância Lula Livre. BOM DIA PRESIDENTE LULA! BOA TARDE! BOA NOITE!…

O pai entrega a Dilma a lembrança do tempo passado

E o Presidente Lula voltou. Voltou Presidente. A democracia venceu. O Brasil volta a ser respeitado, saiu novamente do “Mapa da fome”. E segue a luta pela democracia, pela soberania… Na luta. Na Resistência

Em fevereiro de 2023, o jornalista Osni Calixto, com as filhas Elizabeth e Isabelle aproveita a festa da democracia, no dia 10 de fevereiro, comemorando o aniversário do PT para entregar à Presidenta Dilma, a foto histórica (no colo, a pequena Valentina) daquele fatídico dia 31 de agosto de 2016. Não se preocupe. O Brasil será sempre soberano e vencedor, contra quem quer que seja.

(“Não se cocupe”. E nós lutamos e lutaremos sempre que preciso for pela democracia brasileira).

A história começa a julgar. A justiça brasileira dá início ao julgamento dos golpistas que atentaram contra a democracia, contra a soberania e contra o Povo. O homem que defende a volta da ditadura, o imperialismo. O genocida responsável por milhares de mortes de brasileiros está no banco dos réus… A história vai julgar.

Ironicamente, começa o julgamento do deputado que homenageou o torturador.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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