MEMORÁVEIS MARGARIDAS
Margaridas são flores resistentes e perenes. Representam a leveza do afeto, a força da bondade e a ternura da gentileza. São flores do otimismo, da alegria dos novos começos e dos desafios da renovação. Coloridas, rompem com a intempérie dos tempos brutos em uma sempre marcante presença da esperança da primavera.
Assim são nossas Mulheres-Margaridas, nossas amadas, gentis, bravas e corajosas mulheres de luta. Mulheres das florestas, das cidades, dos campos e das águas; mulheres forjadas, em tempos passados e presentes, na força da resistência coletiva por um Brasil mais humano, mais justo, mais decente, mais feliz e mais solidário.

Assim foi Margarida Maria Alves, uma forte da luta camponesa no solo catingueiro do Nordeste brasileiro. Acossada, ameaçada e, por fim, assassinada pelas forças do latifúndio, Margarida dizia, o tempo todo: “Da luta eu não fujo, prefiro morrer na luta do que morrer de fome”. Marcada para morrer, Margarida morreu lutando.
Brasil afora, ontem e hoje – das guerras de Canudos e do Contestado à guerrilha do Araguaia e, desde então, dos becos das cidades aos grotões do sertão; do azul sereno das águas ao verde profundo das florestas; dos movimentos sociais em defesa da terra, da paz e da natureza, germinaram e germinam centenas, milhares de Mulheres-Margaridas.
Cinquenta e cinco delas estão na exposição “Memoráveis Margaridas”, um poderoso mosaico de sonhos, lutas, mortes, vidas, conquistas e esperanças. São mulheres que fizeram e fazem história, que moveram e movem o mundo. Mulheres que, ao longo de mais de um século, marcaram e marcam a força feminina nas lutas de resistência.
Capa: Juliana Pesqueira/Amazônia Real/2025.
