71% DOS BRASILEIROS REJEITAM A ESCALA 6X1, APONTA DATAFOLHA

71% DOS BRASILEIROS REJEITAM A ESCALA 6X1, APONTA DATAFOLHA

De acordo com nova pesquisa realizada pelo instituto Datafolha em 2026, cerca de 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala de trabalho 6×1, defendendo a adoção de dois dias de descanso semanal. O dado reforça uma percepção crescente no país: a atual organização da jornada de trabalho tem sido vista como excessiva e incompatível com a qualidade de vida

Por Rosilene Corrêa

A escala 6×1 é uma jornada abusiva de trabalho e, infelizmente, é recorrente, sobretudo nos setores de comércio e serviços. Esta jornada configura-se principalmente por exigir do cidadão uma rotina intensa de trabalho, onde quase não há espaço para descanso, lazer, hobbies ou tempo de qualidade com seus entes queridos. Apenas um único dia livre na semana é insuficiente para recuperar o desgaste físico e mental acumulado ao longo da semana.

Segundo estudos da Organização Mundial da Saúde em parceria com a Organização Internacional do Trabalho, longas jornadas de trabalho estão associadas ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, estresse crônico e transtornos mentais. A pesquisa, publicada em 2021, indica que trabalhar muitas horas por semana pode elevar significativamente o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e doenças cardíacas.

O avanço do debate sobre o fim da escala 6×1 é fundamental para mudar a percepção social e cultural sobre o trabalho no Brasil. Os dados da pesquisa realizada pelo Datafolha reforçam que a sociedade brasileira está questionando modelos abusivos de produtividade em detrimento da vida. Lutar contra a escala 6×1 é defender condições dignas de trabalho e preservação da saúde e da vida humana.

9bb15384 f5c6 4326 8a67 3f681e01bed9Rosilene Corrêa – De acordo com nova pesquisa realizada pelo instituto Datafolha em 2026, cerca de 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala de trabalho 6×1, defendendo a adoção de dois dias de descanso semanal. O dado reforça uma percepção crescente no país: a atual organização da jornada de trabalho tem sido vista como excessiva e incompatível com a qualidade de vida.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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