LOBO-GUARÁ: A NOBREZA SELVAGEM DO CERRADO
Imagine um animal de pernas que lembram “botas de cano alto”, pelagem avermelhada flamejante e um ar de nobreza selvagem
Por Thaís Silveira
Esse é o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), um dos maiores tesouros da fauna brasileira, que ganhou ainda mais fama ao estampar a nota de 200 reais. Seu jeito silencioso de cruzar os campos abertos do Cerrado encanta quem o observa: uma verdadeira obra de arte da natureza.
Maior canídeo da América do Sul, o lobo-guará pode chegar a pesar 36 quilos. Suas pernas longas funcionam como um verdadeiro superpoder: ajudam o animal a enxergar acima da vegetação alta e a percorrer com agilidade vastas áreas abertas. Diferente dos lobos retratados nos filmes, ele é um animal solitário, discreto e independente.

Na alimentação, quase tudo entra no cardápio: pequenos roedores, insetos e, principalmente, os frutos da lobeira (Solanum lycocarpum), considerados seus favoritos. Ao consumir essas frutas, o lobo-guará espalha sementes pelo Cerrado e contribui diretamente para a regeneração da vegetação, tornando-se um importante aliado do equilíbrio ambiental.
Apesar de sua beleza e importância ecológica, o lobo-guará enfrenta diversas ameaças. Queimadas, desmatamento e atropelamentos em rodovias colocam em risco a sobrevivência da espécie. Preservar o Cerrado significa proteger não apenas um símbolo da biodiversidade brasileira, mas também um animal essencial para a manutenção desse ecossistema.
Thaís Silveira – Bióloga (Universidade Estadual de Santa Cruz), pós-graduanda em gestão para sustentabilidade pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Capa: Foto de Adriano Gambarini










