Manifestação ocupa uma avenida à noite. Centenas de pessoas carregam bandeiras de sindicatos e movimentos sociais. Em destaque, bandeiras vermelhas da CUT são erguidas entre os participantes, com prédios iluminados ao fundo.

FIM DA ESCALA 6X1: PRESSIONE OS SENADORES E SENADORAS

FIM DA ESCALA 6X1: COMO PRESSIONAR SENADORES E SENADORAS PARA A SUA APROVAÇÃO

O fim da escala 6×1, com redução de jornada das atuais 44 horas semanais para 40h e sem redução salarial, precisa ainda ser aprovada por 49 votos dos 81 senadores da República, em duas sessões.

Para pressionar os senadores para que aprovem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já aprovada na Câmara dos Deputados por ampla maioria no dia 27 de maio, é possível fazê-lo utilizando a plataforma Na Pressão, ferramenta desenvolvida pela CUT que possibilita pressionar cada um dos parlamentares por meio de mensagens diretas a eles por e-mail e também por mensagens nos perfis de redes sociais.

Com o Na Pressão, é possível selecionar o estado e acessar a lista de todos os parlamentares daquele estado e, então, pressionar cada um deles.

É MUITO SIMPLES

Basta acessar o link napressao.org.br e clicar em pressionar. Também é possível acessar a plataforma clicando diretamente no banner superior no Portal da CUT.

Os nomes dos senadores e das senadoras estão listados indicando quem é contra, quem está indeciso e quem é a favor. É possível verificar o posicionamento de cada senador buscando por estado, por partido ou pelo nome, e mandar mensagens diretamente ao parlamentar.

Até agora um levantamento mostra que são 19 senadores favoráveis, 19 contra e 43 indecisos. Neste momento, a pressão sobre os “indecisos” é fundamental.

A agitação nas ruas e nas redes sociais também continua. Na parte inferior do Portal da CUT você pode baixar vários materiais da campanha pela Redução da Jornada e pelo fim da escala 6×1.

POR QUE PRESSIONAR? 

Multidão participa de manifestação em via pública, carregando bandeiras de sindicatos e movimentos sociais. Em destaque, uma faixa vermelha traz a mensagem: “Pelo fim da escala 6x1”. Ao fundo, centenas de pessoas seguem reunidas em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução salarial.

Não existe prazo constitucional para o Senado concluir a análise. 

A tramitação pode ser rápida, caso haja acordo entre governo, centrais sindicais e lideranças partidárias, ou pode se prolongar por meses se houver pressão empresarial por mudanças na transição, na jornada ou em outros pontos do texto. 

A experiência recente mostra que a mobilização social costuma ser determinante para acelerar a votação de PECs com grande impacto econômico e trabalhista.

COMO SERÁ A TRAMITAÇÃO NO SENADO

O texto aprovado pela Câmara já foi recebido pelo Senado e é preciso que seja lido em sessão plenária. A partir daí, a proposta passa a tramitar oficialmente na Casa. O passo seguinte será a análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ):  a PEC será encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Um relator será designado para elaborar parecer. Os senadores e as senadoras poderão apresentar emendas ao texto

VOTAÇÃO NA CCJ

 A comissão votará o parecer do relator. Se aprovada, a PEC segue para o Plenário do Senado e, como toda Emenda Constitucional, a proposta precisará ser aprovada em dois turnos. Em cada turno são necessários, no mínimo, 49 votos favoráveis (3/5 dos 81 senadores). A Constituição exige esse quórum qualificado para alterações constitucionais. Se o Senado aprovar exatamente o texto vindo da Câmara, a PEC será promulgada pelo Congresso Nacional e passará a integrar a Constituição. Se os senadores fizerem qualquer alteração, mesmo que pequena, a proposta terá de retornar à Câmara dos Deputados para nova votação das mudanças.

O QUE ESTÁ EM JOGO NO SENADO

O texto aprovado pela Câmara prevê: Fim da escala 6×1; Jornada máxima de 40 horas semanais; Dois dias de descanso por semana; Manutenção dos salários; Transição em 60 dias após a promulgação da PEC, da jornada de 44 para 42 horas e, após 12 meses, a redução será para 40 horas. Por isso, a CUT e as demais centrais sindicais têm defendido forte mobilização junto aos senadores para evitar mudanças que ampliem o período de transição ou flexibilizem os direitos aprovados na Câmara.

Fonte: CUT, via Bancários/DF.

Logomarca do Sindicato dos Bancários de Brasília. Na parte superior, três figuras estilizadas representam rostos humanos nas cores preta, amarela e rosa. Abaixo, aparece a inscrição “BANCÁRIOS DF” em letras azuis e laranja.

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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